Indústria brasileira faturou R$ 8,8 trilhões em 2024; petróleo lidera vendas e setor de transformação concentra empregos

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A indústria brasileira movimentou R$ 8,8 trilhões em receita bruta em 2024 e manteve o setor de transformação como principal motor da atividade industrial no país, tanto na geração de empregos quanto na produção de riqueza. Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Industrial Anual (PIA), mostram que 358,4 mil empresas empregaram 8,7 milhões de pessoas no período, pagando R$ 481,1 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações.

As indústrias de transformação responderam por 97,1% dos trabalhadores ocupados e por 88,8% do Valor de Transformação Industrial (VTI), indicador que mede a riqueza efetivamente gerada pela produção. O segmento de fabricação de produtos alimentícios permaneceu como o maior empregador da indústria brasileira, com 2,1 milhões de trabalhadores, seguido pelos setores de confecção, produtos de metal e fabricação de veículos automotores. Apesar da liderança em empregos, a maior produtividade foi registrada na extração de petróleo e gás natural, atividade que gerou, em média, R$ 13,3 milhões por trabalhador ocupado ao longo do ano.

Pelo lado da produção, os óleos brutos de petróleo permaneceram, pelo terceiro ano consecutivo, como o principal produto industrial do Brasil. Em 2024, responderam por R$ 278,2 bilhões em receita líquida de vendas, equivalentes a 5,3% de todo o faturamento industrial. Na sequência aparecem os minérios de ferro e seus concentrados, com R$ 159,5 bilhões, e o óleo diesel, que movimentou R$ 149,8 bilhões. Juntos, os dez produtos mais vendidos concentraram 20,9% de toda a receita líquida da indústria nacional, evidenciando a forte participação dos setores de energia, mineração e agronegócio na estrutura produtiva do país.

Os dados também revelam elevada concentração econômica. Empresas com 500 ou mais empregados responderam por 67,9% da receita líquida de vendas da indústria, enquanto microempresas representaram apenas 6,1% desse total. Regionalmente, o Sudeste manteve ampla liderança, concentrando 55,3% da receita industrial e 60,3% do Valor de Transformação Industrial, impulsionado principalmente pela produção de petróleo, derivados e minério de ferro. Sul, Nordeste, Norte e Centro-Oeste aparecem na sequência, com perfis produtivos distintos, marcados pela agroindústria, refino de combustíveis, mineração e processamento de alimentos.

O retrato traçado pelo IBGE reforça a importância estratégica da indústria para a economia brasileira. Embora o setor continue fortemente dependente de commodities e grandes empresas, os números indicam uma cadeia produtiva diversificada, formada por cerca de 3,4 mil produtos industriais e capaz de sustentar milhões de empregos formais. Ao mesmo tempo, os resultados evidenciam desafios relacionados à concentração regional, ao peso reduzido das pequenas empresas na geração de receita e à necessidade de ampliar atividades de maior valor agregado para elevar a competitividade da indústria nacional.