No alto dos Alpes suíços, Davos voltou a ser o centro do mundo. Entre os dias 19 e 23 de janeiro, líderes políticos, executivos, acadêmicos e representantes da sociedade civil participam do Fórum Econômico Mundial 2026 em um clima bem diferente de outros anos. Menos otimismo. Mais tensão. E uma pergunta que insiste em atravessar todas as conversas: para quem, afinal, a economia global está funcionando?
O presidente dos Estados Unidos lidera a maior delegação americana já enviada ao fórum. Vieram junto ministros, assessores econômicos e figuras-chave do governo. O recado é claro: Washington quer influenciar o rumo do debate.
O presidente americano chega prometendo falar de temas que pesam no bolso do cidadão comum. Custo de vida, inflação e habitação acessível estão no centro do discurso. A proposta de permitir o uso de recursos da aposentadoria privada para a compra da casa própria voltou à mesa. Para alguns, é alívio imediato. Para outros, risco de longo prazo. Davos, como sempre, divide opiniões.
Mas o presidente americano não discursou no vazio. O pano de fundo do encontro é duro. Um relatório divulgado por organizações internacionais mostra que a riqueza dos bilionários cresceu em ritmo acelerado em 2025, alcançando níveis históricos, enquanto bilhões de pessoas seguem enfrentando dificuldades básicas. Falta comida, falta moradia, falta segurança econômica. A conta não fecha.
É impossível ignorar o contraste. Dentro dos hotéis luxuosos, fala-se em inovação, inteligência artificial e novos modelos de crescimento. Do lado de fora, protestos lembram que a desigualdade virou um problema estrutural. Um elefante na sala. Grande demais para ser ignorado.
O tema oficial do WEF 2026, “O Espírito do Diálogo”, tenta justamente responder a esse impasse. O mundo está mais fragmentado. Tensões comerciais, disputas geopolíticas e guerras tarifárias criam um ambiente de desconfiança. A ideia do fórum é simples na teoria e complexa na prática: reconstruir pontes.
A inteligência artificial aparece como uma faca de dois gumes. Pode aumentar produtividade, gerar riqueza e acelerar soluções. Mas também ameaça empregos e amplia desigualdades se não houver regras claras. Governança da IA, ética e proteção social ganharam espaço nos painéis mais concorridos.
Outro ponto forte da agenda é a sustentabilidade. Mudanças climáticas, crise hídrica e perda de biodiversidade deixaram de ser temas paralelos. Agora estão no centro da discussão econômica. Não por idealismo, mas por sobrevivência. O consenso é simples: não há crescimento duradouro em um planeta doente.
O Brasil também marca presença. Representantes do governo participam de debates sobre transformação digital, compras públicas sustentáveis e cooperação internacional. O país tenta se posicionar como ponte entre desenvolvimento econômico e agenda social, algo cada vez mais valorizado no cenário global.
Ainda assim, a sensação geral é de urgência. Especialistas alertam que o maior risco à estabilidade global hoje não é apenas militar, mas econômico e social. A concentração extrema de renda corrói a confiança nas instituições e alimenta polarização política em várias partes do mundo.
No meio desse tabuleiro, o presidente dos EUA caminha como quem conhece bem o jogo. Fala com o mercado, acena ao eleitorado e provoca reações. Você pode concordar ou não. Mas uma coisa é certa: sua presença em Davos reacende o debate sobre os limites do capitalismo atual.
No fim das contas, o Fórum Econômico Mundial 2026 deixa uma impressão incômoda. A economia global cresce. A tecnologia avança. A riqueza se multiplica. Mas a sensação de injustiça também. Como uma mesa farta cercada por gente com fome, Davos expõe um mundo que precisa decidir, com urgência, que tipo de futuro quer construir.
