O Sudão e o Sudão do Sul enfrentam duas das mais graves crises humanitárias em curso no mundo. Mesmo assim, a situação permanece fora do centro da atenção internacional.
No Sudão, a estimativa é de que 33,7 milhões de pessoas precisem de ajuda humanitária em 2026. O país enfrenta colapso quase total do sistema de saúde, escassez severa de alimentos e deslocamento em massa da população. Milhões de pessoas perderam acesso a atendimento médico básico após ataques a hospitais, fuga de profissionais e falta de medicamentos.
A guerra começou em abril de 2023, com confrontos entre o Exército sudanês e milícias, incluindo as Forças de Apoio Rápido. Desde então, cidades foram cercadas, mercados destruídos e serviços públicos interrompidos. Regiões como Darfur e Kordofan registram níveis extremos de fome, com altas taxas de desnutrição aguda entre crianças.
No Sudão do Sul, a crise também se intensifica. Conflitos armados e instabilidade política dificultam a chegada de ajuda humanitária. Nos últimos meses, mais de 230 mil pessoas foram deslocadas. Em áreas como Jonglei, organizações humanitárias alertam que até 60% da população corre risco de fome severa.
Crises prolongadas e baixa prioridade internacional
Apesar da gravidade dos números, os dois países seguem fora das prioridades globais. Analistas apontam que os conflitos não afetam diretamente interesses estratégicos de grandes potências, como mercados globais ou cadeias de suprimentos. Com isso, a pressão política internacional é limitada.
A duração prolongada das crises também contribui para a perda de visibilidade. A guerra no Sudão se arrasta há quase três anos. Com o tempo, o conflito passa a ser tratado como parte do cenário permanente, mesmo com o agravamento das condições humanitárias.
Outro fator é a complexidade dos conflitos. A presença de múltiplos grupos armados, disputas regionais e causas históricas profundas dificulta a cobertura contínua e aprofundada, o que resulta em atenção reduzida.
Falta de recursos agrava cenário
As necessidades humanitárias aumentam enquanto o financiamento internacional diminui. Planos de resposta da ONU para o Sudão e o Sudão do Sul receberam apenas uma fração dos recursos solicitados. Cortes no orçamento global de ajuda humanitária têm limitado a atuação de organizações no terreno.
No Sudão do Sul, o volume de recursos recebidos está entre os mais baixos desde a independência do país. A consequência é a redução de programas de alimentação, saúde e proteção a deslocados.
Impacto direto sobre civis
A falta de atenção internacional tem efeitos imediatos. Menos ajuda chega às áreas mais afetadas. A desnutrição infantil avança. Doenças evitáveis voltam a matar. Famílias permanecem deslocadas, sem acesso a abrigo, água potável ou serviços básicos.
Enquanto conflitos em outras regiões dominam o noticiário internacional, a crise humanitária no Sudão e no Sudão do Sul continua a se aprofundar, com impacto direto sobre milhões de civis.
