O Caso Master deixou de ser apenas uma crise bancária. Virou um teste de resistência para o sistema financeiro, o Supremo Tribunal Federal e os órgãos de controle do país.
A liquidação do Banco Master, determinada pelo Banco Central no fim de 2025 por irregularidades graves e crise de liquidez, abriu uma investigação de grandes proporções. O rombo estimado mobiliza o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e pode gerar impacto bilionário. Ao mesmo tempo, mensagens, contratos e movimentações financeiras passaram a ser analisados pela Polícia Federal.
Mas foi em Brasília que a crise ganhou outra dimensão.
STF no centro do furacão
O processo chegou ao Supremo após surgirem indícios envolvendo autoridade com foro privilegiado. A relatoria ficou com o ministro Dias Toffoli, que determinou a tramitação sob grau máximo de sigilo.
A medida restringe o acesso às peças do processo, inclusive para órgãos que discutem a própria legalidade da liquidação do banco. O argumento é evitar vazamentos e proteger dados sensíveis. Ainda assim, a decisão acendeu um debate intenso sobre transparência.
Nos bastidores, cresce a pressão política. Parlamentares articulam requerimentos para aprofundar investigações e discutem pedidos de esclarecimento sobre a condução do caso. O ambiente, hoje, é de desconfiança mútua entre instituições.
Relatório da PF amplia tensão
Um relatório recente da Polícia Federal apontou menções ao ministro em materiais apreendidos durante a investigação. O documento foi encaminhado à presidência do STF.
Toffoli negou qualquer irregularidade e afirmou que dará resposta formal dentro dos autos. Até o momento, não há decisão que o afaste do caso. Ainda assim, o episódio ampliou o desgaste público.
Nos corredores do Congresso, o tema já entrou na pauta informal de comissões e lideranças partidárias.
TCU endurece acesso a informações
Enquanto isso, o Tribunal de Contas da União analisa a atuação do Banco Central na liquidação do Master. O processo também passou a tramitar com restrições severas de acesso.
A decisão gerou reação de especialistas em direito público e regulação financeira. O questionamento é simples: como fiscalizar com rigor sem transparência mínima?
O TCU sustenta que o sigilo é necessário para preservar dados estratégicos e evitar interferências externas. Críticos argumentam que o grau imposto é incomum para processos dessa natureza.
Impacto econômico e político
No mercado, o caso reacendeu discussões sobre governança de bancos médios e supervisão prudencial. Investidores acompanham cada movimento com cautela. O temor é que ruídos institucionais contaminem a percepção de segurança jurídica.
Politicamente, o escândalo já é explorado por diferentes correntes. O governo tenta se manter distante do núcleo das decisões técnicas, enquanto a oposição cobra explicações mais amplas.
O fato é que o Caso Master deixou de ser apenas uma investigação financeira. Tornou-se um episódio que testa a solidez das instituições brasileiras.
E ainda está longe do fim.
