Avanço do turismo de observação de baleias no Rio exige rigor na navegação para proteger a espécie

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A cena de gigantes marinhos emergindo a poucos quilômetros do calçadão deixou de ser acontecimento fortuito para virar parte da rotina no litoral do Rio de Janeiro durante o inverno. O retorno maciço das baleias-jubarte à costa fluminense impulsionou o turismo de observação embarcada na capital e em municípios como Arraial do Cabo. Contudo, o crescimento acelerado da atividade acendeu o alerta de biólogos e órgãos de fiscalização sobre os riscos de impacto direto no comportamento desses mamíferos.

A presença mais ostensiva dos animais resulta da recuperação histórica da espécie no Brasil, cuja população saltou de aproximadamente 2 mil indivíduos na década de 1990 para mais de 35 mil atualmente. Em busca de águas quentes e protegidas para acasalamento e amamentação dos filhotes, as jubartes cumprem uma rota migratória do Oceano Antártico até o litoral brasileiro. No percurso, a aproximação das águas cariocas transformou o avistamento em um mercado aquecido para operadores locais de turismo náutico.

A oferta de passeios inclui desde embarcações de pequeno porte até veleiros e lanchas de grande capacidade, partindo de pontos estratégicos como a Marina da Glória. Apesar do forte apelo comercial e do entusiasmo dos visitantes, especialistas ressaltam que a aproximação desordenada pode desencadear estresse grave nas baleias, interferir na amamentação dos filhotes e provocar acidentes por colisões, exigindo conduta estritamente técnica dos navegadores.

A regulamentação federal impõe limites para garantir a integridade dos mamíferos durante a navegação. Normas fixadas pelo Ibama estabelecem a obrigatoriedade de manter distância mínima de 100 metros com motor engrenado e proíbem o isolamento do animal, a perseguição e a interrupção deliberada de sua rota. Também é vedado qualquer tipo de mergulho no raio de aproximação, bem como o uso de motores em ponto morto a menos de 50 metros das jubartes.

Entidades de conservação ambiental orientam que os passageiros exijam das empresas o cumprimento rigoroso dos protocolos e deem preferência a operadores capacitados, acompanhados por guias especializados ou biólogos a bordo. A conscientização dos turistas é apontada por pesquisadores como peça essencial para conter excessos no mar, garantindo que o turismo atue como ferramenta de preservação, e não como ameaça adicional às baleias.