Presidente da Câmara age com autoritarismo, covardia e omissão; episódio deixa marcas profundas na imagem da instituição e escancara submissão aos interesses do Centrão e do bolsonarismo.
I. OS FATOS DO DIA 9 — O DIA EM QUE A CÂMARA FOI TRANSFORMADA EM CÁRCERE
O dia 9 de dezembro de 2025 ficará registrado como um dos piores momentos da história legislativa brasileira. Sob comando do presidente Hugo Motta (Republicanos-PB), a Câmara dos Deputados se transformou em uma arena de violência, censura e desrespeito à imprensa, aos parlamentares e à sociedade.
Tudo começou quando o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), em protesto político, ocupou a cadeira da presidência do plenário — ato simbólico e de resistência, que já ocorreu inúmeras vezes na história da Câmara, inclusive praticado por parlamentares de direita e bolsonaristas, sem que Hugo Motta tivesse qualquer reação semelhante em outras ocasiões.
Mas, dessa vez, Motta decidiu agir com força.
E pior: com brutalidade.
Expulsão da imprensa — uma decisão autoritária e covarde
Sob ordem direta de Motta, jornalistas foram expulsos do plenário, empurrados, arrastados e ameaçados pela Polícia Legislativa, numa ação descrita por entidades de imprensa como “grave censura”, “agressão institucional” e “incompatível com a democracia”.
Fotógrafos, cinegrafistas e repórteres que cumpriam seu dever público foram tratados como inimigos do Estado.
A Câmara — a “Casa do povo” — virou a Casa da truculência.
Corte do sinal da TV Câmara — a censura ao vivo e em rede nacional
Para completar o cerco autoritário, o sinal da TV Câmara foi cortado exatamente no momento da confusão — um ato grave, deliberado e inaceitável.
O país ficou no escuro.
A transparência morreu naquela sala.
E não há “razões de segurança” capazes de justificar o que só pode ser chamado de censura explícita.
Agressões físicas a parlamentares e jornalistas
As denúncias relatam:
- empurrões,
- golpes,
- ameaças verbais,
- impedimento de circulação,
- e prisões simbólicas contra profissionais de imprensa.
Parlamentares também foram agredidos, inclusive Glauber Braga, arrastado por policiais legislativos.
O Conselho Nacional de Direitos Humanos repudiou a violência.
Motta se escondeu — e permaneceu calado
Diante da repercussão, ao invés de assumir responsabilidade, Motta silenciou.
Não pediu desculpas.
Não explicou o corte de transmissão.
Não respondeu à imprensa.
E ainda enviou assessores, em seu lugar, para reunião com jornalistas agredidos.
Em vez de presidente, um fugitivo.
Em vez de liderança, um borra-botas.
II. A IMAGEM DE UM PRESIDENTE FRACO, OMISSO E SERVIL
Os fatos do dia 9 não são um acidente: são reflexos de quem Hugo Motta é como presidente da Câmara.
Um líder que não lidera.
Um presidente que não preside.
Um homem que, diante da pressão, se curva, se omite e cede.
Quando bolsonaristas ocuparam a cadeira, Motta ficou quieto
Em agosto, parlamentares da direita radical e do bolsonarismo ocuparam a mesa diretora, sentaram na cadeira da presidência, promoveram tumultos internos e desrespeitaram ritos regimentais.
E Hugo Motta fez o quê?
Nada. Absolutamente nada.
Nenhuma polícia legislativa.
Nenhuma ordem de expulsão.
Nenhum corte de TV.
A reação violenta só veio quando o protesto era da esquerda.
Um comportamento típico de líderes fracos que governam com medo de perder apoio do Centrão e da extrema direita.
III. A AGENDA QUE SERVE AO BOLSONARISMO: PL DA DOSIMETRIA
A conduta de Motta se alinha também à pauta que ele ajuda a empurrar no Congresso — e que favorece diretamente condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro.
O PL da Dosimetria é um projeto que busca reduzir penas de criminosos que participaram do ataque ao STF, ao Planalto e ao Congresso.
Se aprovado definitivamente:
- reduz aplicações de penas,
- diminui agravantes,
- facilita progressões,
- e pode beneficiar diretamente líderes e financiadores do golpe.
Hugo Motta não só permitiu como acelerou sua votação.
Em vez de proteger a democracia, protegeu os golpistas que a atacaram.
IV. PEC DA BLINDAGEM (A PEC DA BANDIDAGEM)
Outro movimento alinhado à covardia institucional é a PEC da Blindagem — ou, como é conhecida entre parlamentares, a PEC da Bandidagem.
Se aprovada, ela:
- cria escudos para parlamentares,
- impede investigações,
- restringe ações judiciais,
- e praticamente institucionaliza a impunidade de deputados e senadores.
Essa pauta passou na Câmara com apoio de Motta, mas desabou no Senado.
E se desabou, não foi por ele — foi apesar dele.
CONCLUSÃO: UM PRESIDENTE QUE PEQUENINOU A CASA
Os episódios do dia 9 e sua atuação política revelam um padrão:
- autoritarismo com a imprensa,
- vingança contra opositores,
- submissão ao Centrão,
- proteção a golpistas,
- tentativas de blindar parlamentares,
- e silêncio covarde diante da crise.
Hugo Motta não apenas erra como presidente.
Ele envergonha a cadeira histórica que já pertenceu a Ulysses Guimarães.
