IBGE acende alerta: crescem os casos de bullying contra adolescentes no Brasil

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Dados recentes do IBGE mostram que a saúde mental de adolescentes brasileiros entrou em uma zona de atenção. Por trás dos números, há histórias silenciosas. Jovens que dormem mal, que se isolam, que relatam ansiedade constante e, em muitos casos, tristeza persistente. A pesquisa revela aumento de sintomas ligados à ansiedade e à depressão, além de crescimento na procura por atendimento psicológico nessa faixa etária.

O levantamento, baseado na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), indica que uma parcela significativa dos adolescentes já se sentiu triste ou sem esperança por períodos prolongados. Não é um episódio isolado — é recorrente. E, em alguns casos, interfere diretamente na rotina, no rendimento escolar e nas relações sociais.

Há um dado que chama atenção: o número de jovens que dizem não ter com quem conversar sobre problemas pessoais. A ausência de escuta — dentro de casa, na escola ou entre amigos — aparece como um dos fatores que ampliam o sofrimento emocional.

Redes sociais, pressão por desempenho, exposição constante. Tudo junto. Especialistas apontam que o ambiente digital tem papel importante nesse processo — tanto como gatilho quanto como amplificador de inseguranças.

A pandemia de Covid-19 deixou marcas profundas. O afastamento social, a interrupção da rotina escolar e o aumento do tempo em casa contribuíram para o agravamento de quadros de ansiedade e depressão. Muitos adolescentes ainda estão tentando se reorganizar emocionalmente.

Outro ponto que aparece nos estudos é a relação com o corpo e a autoimagem. A insatisfação corporal cresceu, principalmente entre meninas, acompanhada de maior exposição a padrões irreais nas redes. Isso ajuda a explicar o aumento de comportamentos de risco e queda na autoestima.

O próprio IBGE destaca a importância de políticas públicas voltadas à saúde mental nas escolas. Programas de acolhimento psicológico, formação de professores para identificar sinais de sofrimento e acesso facilitado a atendimento especializado são medidas consideradas urgentes.

Além disso, especialistas reforçam algo que parece básico, mas ainda falha: diálogo. Escutar sem julgamento, criar espaços seguros e validar sentimentos. Pequenas atitudes que, na prática, fazem diferença.

O Brasil ainda engatinha quando o assunto é saúde mental de jovens. Mas os dados mais recentes deixam pouco espaço para dúvida: ignorar o problema não é mais uma opção.