O câncer colorretal deixou de ser uma doença restrita aos idosos. Nos últimos anos, a incidência entre adultos com menos de 50 anos aumentou de forma consistente. O dado aparece em estudos epidemiológicos dos Estados Unidos, Europa, Canadá e Austrália.
Enquanto isso, entre pessoas acima de 65 anos, os casos diminuíram. A explicação é clara: essa faixa etária faz colonoscopia com mais frequência e participa de programas de rastreamento. Entre os mais jovens, o diagnóstico costuma acontecer tarde.
Nos Estados Unidos, o câncer colorretal já está entre as principais causas de morte por câncer na faixa de 20 a 49 anos. Diante desse cenário, a American Cancer Society passou a recomendar que o rastreamento comece aos 45 anos. Antes, a orientação era iniciar aos 50.
A mudança foi baseada em dados acumulados ao longo de duas décadas. Pesquisas indicam que pessoas nascidas a partir da década de 1980 apresentam risco maior de desenvolver a doença antes dos 50 anos quando comparadas às gerações anteriores.
Especialistas ouvidos por veículos como a BBC, AP e o The Guardian apontam que o crescimento é real e não se limita a um único país. O padrão se repete: aumento entre jovens, queda entre os mais velhos.
As causas ainda estão em estudo. A principal hipótese envolve mudanças no estilo de vida nas últimas décadas. Dietas ricas em ultraprocessados, consumo elevado de carnes processadas, obesidade, sedentarismo e alterações na microbiota intestinal estão entre os fatores associados. O uso frequente de antibióticos na infância também é investigado.
Não há uma explicação única. O fenômeno é considerado multifatorial.
O problema é que adultos jovens raramente imaginam estar em risco. Sintomas como sangue nas fezes, dor abdominal persistente, alteração no hábito intestinal, perda de peso sem causa aparente e anemia costumam ser ignorados ou atribuídos a problemas menos graves.
Esse atraso pesa no desfecho. Em muitos casos, o diagnóstico ocorre quando o tumor já está em estágio avançado.
A colonoscopia continua sendo o principal exame para detecção e prevenção. Ela permite identificar e remover pólipos antes que evoluam para câncer. Quando diagnosticada precocemente, a doença tem altas taxas de cura.
A morte do ator Chadwick Boseman, aos 43 anos, ampliou o debate global sobre o tema. O caso mostrou que idade abaixo de 50 anos não elimina o risco.
O recado dos especialistas é direto: sintomas persistentes precisam de avaliação médica. O perfil da doença mudou. E ignorar esse dado pode custar caro.
