O comércio varejista brasileiro encerrou 2025 com expansão moderada nas vendas, resultado que confirma uma trajetória de crescimento contínuo, mas com ritmo menos intenso do que no ano anterior. Os números foram divulgados na Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE nesta sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026).
Retração em dezembro e resultado anual
No comparativo entre dezembro e novembro de 2025, o volume de vendas no varejo sofreu uma queda de 0,4% — um revés após meses de irregularidade no ritmo de vendas ao longo do ano. Essa taxa negativa interrompeu a série de resultados positivos na margem, ainda que a média móvel trimestral tenha permanecido ligeiramente positiva (+0,3%) no último trimestre de 2025.
Apesar da retração no fim do ano, o desempenho acumulado em 2025 foi positivo, com alta de 1,6% em relação a 2024. O resultado representa o nono ano seguido de crescimento do varejo brasileiro desde a retomada econômica pós-pandemia, embora bem inferior à expansão de 4,1% registrada em 2024.
📈 O que impulsionou (e o que freou) as vendas
O crescimento teve distribuição heterogênea entre os segmentos. Entre os setores com desempenho positivo em 2025 destacam-se:
- Farmacêutico e móveis e eletrodomésticos com ganhos consistentes dentro do ano,
- Informática e comunicação, beneficiado parcialmente pelo cenário cambial que favoreceu alguns eletrônicos importados.
Por outro lado, setores que contribuíram negativamente para o resultado anual foram veículos, atacado de alimentos, livros e papelaria e material de construção — com desempenhos fracos ou recuados em dezembro e ao longo de 2025.
Em dezembro de 2025 comparado a dezembro de 2024
Segundo a versão em inglês divulgada pelo IBGE, quando comparado a dezembro do ano anterior, o varejo cresceu 2,3%, com seis dos oito grupos monitorados apresentando taxas positivas de variação. Destaque para:
- Equipamentos de escritório e comunicação (+31,1%),
- Móveis e eletrodomésticos (+6,9%),
- Artigos farmacêuticos (+6,8%).
Desempenho regional: Espírito Santo
A PMC também permite observar as variações por unidade da federação, embora os dados completos de fechamento de 2025 por estado ainda não tenham sido totalmente publicados de forma detalhada no SIDRA. Porém, relatórios setoriais anteriores ao fechamento do ano indicam que no início e meio de 2025 o varejo capixaba apresentou taxas superiores à média nacional.
Em julho de 2025, por exemplo, o Espírito Santo registrou:
- Crescimento interanual no volume de vendas de varejo restrito e ampliado,
- Aumento acumulado no ano até julho de 4,3%, bem acima da média nacional,
- Desempenho destacado em segmentos como tecidos, vestuário e calçados (25,3%) e artigos farmacêuticos (11%).
Esses resultados colocaram o estado à frente de grandes unidades da federação como São Paulo e Rio de Janeiro no acumulado até meados de 2025, mostrando dinâmica de consumo mais resiliente nas vendas de bens essenciais e de maior apelo ao consumo discrecionário na região.
Panorama geral e fatores de contexto
O varejo brasileiro em 2025 transitou por um ciclo de altos e baixos. No primeiro semestre, as vendas oscilaram com quedas e recuperações pontuais — inclusive recuos em alguns meses e picos de expansão — refletindo tanto o impacto das taxas de juros elevadas quanto a capacidade de consumo das famílias. Reuters registrou quedas inesperadas em meses como maio, o que reforçou a percepção de perda de ritmo no segundo trimestre do ano.
Mesmo assim, o conjunto de indicadores da PMC aponta que o varejo manteve expansão acumulada no ano, traduzindo uma capacidade de sustentação do comércio diante de um cenário econômico ainda desafiador para o país.
