Websérie dá voz à juventude negra capixaba e registra a luta cotidiana contra o racismo

Equipe da Websérie A Resistência da Juventude Negra. Foto Renato Moulin

A juventude negra do Espírito Santo ocupa o centro da narrativa na websérie documental A Resistência da Juventude Negra, que estreia no dia 28 de janeiro nas redes sociais do Fórum Estadual de Juventude Negra do Espírito Santo (Fejunes). A produção será exibida no Instagram e no YouTube da entidade, em três episódios temáticos e um capítulo extra com bastidores das gravações.

O documentário nasce da experiência concreta de jovens que vivem, organizam e enfrentam o racismo no dia a dia. Ao longo da série, o público acompanha registros da Marcha Estadual Contra o Extermínio da Juventude Negra e do Festival Cultura Negra, duas mobilizações organizadas pelo Fejunes e consideradas centrais para o movimento negro capixaba.

Selecionado pelo Edital nº 08/2024 – Cultura Digital, da Secretaria de Estado da Cultura (Secult-ES), o projeto integra a Linha de Fomento 1, voltada à produção de obras seriadas e webséries. O apoio permitiu transformar manifestações de rua, encontros culturais e debates políticos em uma narrativa audiovisual contínua, pensada para circular nas plataformas digitais.

Para a presidente do Fejunes e produtora executiva da série, Emanuella Gonçalo, a proposta vai além do registro histórico. A websérie acompanha as edições dos eventos realizadas em 2025 e reúne imagens, entrevistas e depoimentos que revelam como jovens negros transformam dor, luto e desigualdade em organização coletiva. “A série mostra os desafios enfrentados diariamente, as barreiras impostas pelo sistema e, ao mesmo tempo, a força que surge quando esses jovens se unem”, explica.

A direção geral é de Filipe Lima, idealizador do projeto. Segundo ele, a intenção nunca foi apenas documentar atos públicos. O foco está em entender o que move essa juventude a seguir resistindo. “A Marcha Contra o Extermínio da Juventude Negra aparece como um espaço de denúncia e defesa da vida, em resposta direta à violência que atinge essas comunidades. Já o Festival Cultura Negra surge como lugar de afirmação, onde identidade, arte e pertencimento caminham juntos”, afirma.

Os episódios seguem uma linha narrativa que conecta passado, presente e futuro. O primeiro capítulo, Superando Barreiras e Conquistando Espaços, estreia em 28 de janeiro, às 11h, e apresenta a trajetória da Marcha Estadual Contra o Extermínio da Juventude Negra, destacando conquistas e desafios enfrentados pela juventude negra capixaba.

Na semana seguinte, em 4 de fevereiro, também às 11h, vai ao ar A Luta e a Arte como Resistência. O episódio mostra como expressões artísticas e mobilização social se cruzam no Festival Cultura Negra, revelando a cultura como ferramenta política e de afirmação identitária.

O terceiro episódio, Caminhos para a Transformação, será exibido em 11 de fevereiro. A narrativa conecta as lutas históricas do movimento negro às novas gerações, mostrando como jovens assumem o protagonismo e projetam o futuro a partir das experiências do passado.

Encerrando a série, no dia 18 de fevereiro, um episódio bônus apresenta os bastidores da produção. Câmeras desligadas, imprevistos, decisões de última hora. É ali que aparecem os desafios e as possibilidades de registrar essas histórias em formato de websérie, sem perder o vínculo com a realidade retratada.

Ao longo dos episódios, o que se vê é um fio contínuo de resistência. As pautas levantadas hoje dialogam com reivindicações antigas, herdadas de gerações que vieram antes. Para Filipe Lima, a série funciona como um registro desse legado. “É um tributo à juventude que insiste em contar a própria história e ocupar o lugar de protagonista na construção de um futuro mais justo”, resume.

O Fejunes atua desde 2007 na organização da juventude negra capixaba, articulando ações antirracistas e cobrando do poder público políticas efetivas nas áreas de educação, saúde, segurança e cultura. A websérie se insere nesse percurso como mais uma ferramenta de mobilização, memória e denúncia. Um espelho do presente. E, ao mesmo tempo, um recado claro sobre o futuro que esses jovens insistem em construir.