Espírito Santo mantém protagonismo econômico no cenário nacional, mas concentração regional ainda é desafio.
O Espírito Santo voltou a ganhar destaque no mapa econômico do Brasil com os dados do Produto Interno Bruto (PIB) dos Municípios de 2023, divulgados pelo IBGE. A capital Vitória aparece como a terceira capital brasileira com maior PIB per capita, enquanto o município de Presidente Kennedy figura entre os cinco mais ricos do país nesse indicador. Os números reforçam o peso da economia capixaba, mas também evidenciam uma forte concentração de riqueza em poucos territórios.
Com PIB per capita de R$ 87.520,35, Vitória ficou atrás apenas de Brasília (DF) e São Paulo (SP) no ranking entre as capitais. O valor é 62% superior à média nacional, estimada em R$ 53.886,67 em 2023. Apesar da posição de destaque, a capital capixaba registrou, ao longo das últimas duas décadas, uma redução relativa frente ao restante do país: a razão entre o PIB per capita de Vitória e o nacional caiu de 2,82 em 2002 para 1,62 em 2023 — a maior queda entre todas as capitais brasileiras no período.
Presidente Kennedy impulsiona estatísticas com renda per capita recorde
No interior do estado, Presidente Kennedy segue sendo um caso emblemático. Em 2023, o município alcançou o 5º maior PIB per capita do Brasil, com impressionantes R$ 537.982,68, mesmo após ter ocupado a liderança nacional em 2019. O resultado está fortemente associado à indústria extrativa, especialmente à exploração de petróleo e gás, que segue como um dos principais motores econômicos do sul capixaba.
Outro município do estado que aparece entre os 100 maiores PIBs per capita do país é Marataízes, na 76ª posição, com R$ 169.391,53, também influenciado pela atividade extrativa.
Quatro municípios concentram metade da economia capixaba
A concentração econômica é uma marca persistente no Espírito Santo. Em 2023, Serra, Vitória, Vila Velha e Cariacica responderam juntas por 50,2% de todo o PIB estadual. Quando ampliado o recorte para os dez municípios mais ricos — incluindo Linhares, Aracruz, Cachoeiro de Itapemirim, Presidente Kennedy, Marataízes e Itapemirim — a participação sobe para 72,1% da economia capixaba.
A Serra lidera isoladamente, com 17,9% do PIB estadual, seguida por Vitória, com 13,5%. O dado confirma a centralidade da Região Metropolitana da Grande Vitória como eixo econômico do estado.
Cariacica entra para o seleto grupo dos 100 maiores PIBs do Brasil
Um dos destaques positivos do levantamento é a ascensão de Cariacica, que passou a integrar, pela primeira vez, a lista dos 100 maiores PIBs municipais do país, ocupando a 86ª posição. O município se junta a Serra (38º), Vitória (51º) e Vila Velha (85º), consolidando o protagonismo capixaba no ranking nacional.
Enquanto Serra perdeu uma posição em relação a 2022, os demais municípios capixabas avançaram, refletindo crescimento econômico e maior dinamismo produtivo.
Desigualdade regional ainda persiste
Apesar dos bons números absolutos, o estudo também aponta desafios estruturais. O índice de Gini da distribuição do PIB municipal no Espírito Santo foi de 0,75 em 2023, inferior ao índice nacional (0,84), indicando menor concentração em comparação ao Brasil como um todo. Ainda assim, o valor segue elevado e revela que o crescimento econômico não se distribui de forma homogênea entre os 78 municípios capixabas.
A própria dinâmica da indústria extrativa, altamente concentrada em poucos territórios, é apontada como um fator que limita a desconcentração econômica no estado, mesmo com avanços em setores como comércio, serviços e logística.
Um retrato de força — e de desafios
Os dados do PIB dos Municípios mostram um Espírito Santo economicamente robusto, com municípios altamente produtivos e renda per capita acima da média nacional. Ao mesmo tempo, reforçam a necessidade de políticas de desenvolvimento regional, capazes de ampliar oportunidades econômicas para além dos polos tradicionais e reduzir as desigualdades internas.
Balanço nacional e impacto da indústria extrativa
No plano nacional, a participação dos municípios que não são capitais no PIB brasileiro recuou de 72,5% em 2022 para 71,7% em 2023, enquanto a participação das capitais subiu de 27,5% para 28,3% — sinalizando uma leve retomada de concentração econômica nas grandes cidades depois de anos de desconcentração. Esse movimento foi influenciado, em parte, pela perda de participação de municípios fortemente dependentes da indústria extrativa, como aqueles ligados à exploração de petróleo, que apresentaram quedas mais acentuadas no período, e pela retomada do setor de serviços nas capitais.
