Serviços fecham 2025 no azul pelo 5º ano seguido, mas perdem fôlego no último mês

Imagem de Drazen Zigic no Freepik

O setor de serviços, que é o grande motor da economia brasileira, encerrou 2025 com um saldo positivo, mas não sem antes dar um susto no mercado no apagar das luzes do ano. Segundo os dados mais recentes do IBGE, o volume de serviços recuou 0,4% em dezembro, quebrando uma sequência de meses de crescimento. No entanto, o fôlego acumulado foi suficiente para garantir uma alta de 2,8% no fechamento do ano.

É a quinta vez consecutiva que o setor termina o ano no azul. Desde que a economia começou a se reorganizar após o choque de 2020, os serviços já acumulam uma expansão impressionante de 31%.

O “freio” de dezembro

O que explica essa queda de última hora em dezembro? A resposta está, principalmente, nos transportes. O setor, que costuma estar a todo vapor no final do ano, recuou 3,1%. E não foi só um modal: houve queda no transporte terrestre, aquaviário e, especialmente, no aéreo, que despencou 5,5% na comparação com novembro.

Rodrigo Lobo, que gerencia a pesquisa no IBGE, aponta que essa retração foi bem espalhada. Além dos transportes, áreas de armazenagem e correios também sentiram o golpe. Regionalmente, o peso de São Paulo — que teve uma variação negativa de 0,3% — e a queda acentuada em Santa Catarina ajudaram a puxar o índice nacional para baixo.

Os campeões de 2025

Apesar do tropeço em dezembro, 2025 teve seus protagonistas. Se olharmos para o que deu certo, o destaque vai para o mundo digital e a logística. Portais de internet, plataformas de e-commerce e serviços de tecnologia continuam sendo a “locomotiva” dessa alta.

Curiosamente, o transporte aéreo de passageiros, que caiu em dezembro, foi um dos grandes responsáveis pela média positiva do ano como um todo, mostrando que o brasileiro viajou mais ao longo de 2025.

Outro ponto que merece atenção: os serviços de tecnologia da informação acumularam uma alta extraordinária de 84,4% nos últimos cinco anos. Isso mostra que a digitalização do país não foi apenas uma tendência passageira da pandemia, mas uma mudança estrutural.

O que esperar agora?

Embora o setor esteja 19,6% acima do nível pré-pandemia, o resultado de dezembro acendeu um sinal amarelo sobre o ritmo de crescimento para 2026. A média móvel trimestral, que vinha subindo desde o início do ano, ficou estável no último trimestre.

Para quem acompanha o dia a dia da economia, o cenário é de resiliência. O setor de serviços é o que mais emprega no Brasil e sua saúde é vital para o consumo das famílias. O fechamento de 2025 com 2,8% de alta confirma que o setor segue sólido, mas o recuo de dezembro sugere que o consumidor e as empresas podem estar começando a ser mais seletivos nos gastos.