Serviços desaceleram em novembro

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Você sente quando a economia muda de ritmo — às vezes antes mesmo dos números oficiais. Em novembro, o setor de serviços deu um pequeno passo para trás e registrou queda de 0,1%, segundo o IBGE. É um recuo discreto, quase imperceptível, mas que quebra uma sequência de avanços ao longo de 2025. Ainda assim, o setor segue em patamar elevado, bem acima do nível pré-pandemia. O dado ajuda a entender onde o país ganhou fôlego e onde começa a perder velocidade.

O volume de serviços no Brasil variou -0,1% em novembro de 2025 na comparação com outubro, já descontados os efeitos sazonais. A informação é da Pesquisa Mensal de Serviços, divulgada pelo IBGE, e sinaliza uma desaceleração pontual em um dos principais motores da economia brasileira.

Não é um tombo. Está longe disso. Mas é um aviso. O setor vinha acumulando resultados positivos e, agora, parece ter pisado no freio — ainda que de leve. Na comparação com novembro de 2024, o crescimento foi de 2,5%, marcando o 20º mês seguido de alta nessa base anual. Ou seja, o fundo do poço ficou para trás há algum tempo.

Hoje, o volume de serviços no país está cerca de 20% acima do nível de fevereiro de 2020, antes da pandemia. É como quem sobe uma escada longa: em alguns degraus, o passo fica mais curto, mas o caminho percorrido já é considerável.

Quem caiu, quem segurou

O resultado de novembro não foi uniforme. Houve setores que ajudaram a puxar o índice para baixo, especialmente os serviços prestados às famílias, como alimentação fora do lar, hospedagem e lazer. São áreas muito sensíveis ao orçamento das famílias e ao custo de vida, que ainda pesa no bolso.

Por outro lado, informação e comunicação mantiveram desempenho positivo, com destaque para tecnologia da informação e serviços digitais. Transportes também ajudaram a evitar um recuo maior, impulsionados principalmente pela logística de cargas, que segue em nível elevado desde a pandemia.

É um retrato claro de mudança no padrão de consumo. Menos gasto com o que é supérfluo, mais demanda por serviços ligados à operação do dia a dia e à economia digital.

Turismo resiste

As atividades turísticas cresceram 0,2% em novembro, frente a outubro. O avanço foi puxado por oito estados e reforça a leitura de recuperação gradual do setor, mesmo fora da alta temporada. Ainda não é um salto, mas mostra fôlego — especialmente em um cenário de crédito mais caro e consumo cauteloso.

O mapa do Brasil

Regionalmente, a desaceleração atingiu a maior parte do país. Das 27 unidades da federação, 17 registraram queda no volume de serviços em novembro. Estados como Rio de Janeiro, Distrito Federal, Bahia e Amazonas tiveram influência negativa no resultado nacional.

São Paulo e Minas Gerais, por outro lado, ajudaram a equilibrar o índice, mostrando que a recuperação segue desigual e concentrada em economias mais robustas e diversificadas.

Transporte: ajuste após meses fortes

O transporte de passageiros caiu 0,5% em novembro, após meses de recuperação mais intensa. Já o transporte de cargas recuou 0,1%, um ajuste pequeno diante de um histórico recente bastante positivo. Ambos seguem acima do nível pré-pandemia, o que ajuda a explicar por que o setor de serviços, como um todo, ainda se mantém em patamar elevado.

O que o dado revela

O setor de serviços responde pela maior fatia do PIB brasileiro. Quando ele desacelera, mesmo que pouco, o mercado presta atenção. O recuo de novembro não aponta para uma crise, mas indica perda de ritmo no fim do ano, em um cenário de juros altos, consumo mais seletivo e empresas mais cautelosas.

É como um carro em estrada longa: o motor segue ligado, mas o pé saiu um pouco do acelerador. Os próximos meses vão mostrar se foi apenas um ajuste de marcha — ou o início de um trajeto mais lento em 2026.