Projeto “BOM Peixinho” transforma férias escolares em lições que salvam vidas no Espírito Santo

Foto: divulgação

Enquanto muitas crianças aproveitam as férias apenas para descansar, um grupo de estudantes capixabas vive uma experiência que pode mudar — literalmente — o rumo de suas vidas. Em Vila Velha, o Projeto BOM Peixinho, desenvolvido pelo Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo (CBMES), começou mais uma edição com um objetivo claro: ensinar, desde cedo, que diversão e segurança precisam andar juntas, especialmente perto da água.

A iniciativa atende 40 crianças de 9 a 12 anos e funciona como uma colônia de férias educativa. Mas seria injusto chamá-la apenas assim. O projeto é, na prática, uma estratégia de prevenção ao afogamento, um problema silencioso e recorrente no estado.

Um problema real, uma resposta concreta

Os números ajudam a entender a urgência. Em 2025, 141 pessoas morreram vítimas de afogamento no Espírito Santo, segundo dados oficiais. É uma estatística dura, dessas que não permitem romantização. Diante desse cenário, o CBMES aposta na educação como principal ferramenta de mudança.

Inserido no Programa Estado Presente em Defesa da Vida, o BOM Peixinho nasceu com uma proposta simples e poderosa: ensinar crianças a reconhecer riscos, agir com responsabilidade e multiplicar esse conhecimento dentro de casa e na comunidade.

Aprender brincando — e levando a sério

As atividades acontecem no período da tarde, das 13h às 18h, e combinam teoria e prática. As crianças participam de aulas de segurança aquática, noções básicas de primeiros socorros, educação ambiental, cidadania e prevenção ao uso de drogas. Tudo conduzido por bombeiros militares treinados, em uma linguagem acessível, próxima e direta.

É nesse ponto que o projeto se diferencia. Não há discursos longos ou fórmulas prontas. O aprendizado acontece no contato com a água, nas conversas francas e nas situações simuladas. Aos poucos, o medo vira respeito. A curiosidade vira consciência.

Você já percebeu como uma informação simples, dita no momento certo, pode evitar uma tragédia? É exatamente essa lógica que orienta o projeto.

Crianças como agentes de prevenção

Outro pilar do BOM Peixinho é o efeito multiplicador. A ideia não é formar pequenos bombeiros, mas crianças mais atentas, responsáveis e conscientes, capazes de orientar irmãos, pais e amigos sobre comportamentos seguros em rios, praias, piscinas e lagoas.

Segundo os organizadores, muitas dessas crianças vivem em regiões próximas ao mar ou a cursos d’água. Ou seja, convivem diariamente com o risco. Transformá-las em aliadas da prevenção é, também, uma forma inteligente de política pública.

Um projeto que amadurece

Criado em 2024, o BOM Peixinho chega à edição 2026 mais estruturado e com resultados perceptíveis. A escolha de Vila Velha, município com forte relação com o litoral, reforça o foco estratégico da iniciativa.

Para os bombeiros envolvidos, cada criança que aprende a identificar uma corrente de retorno ou entende quando não entrar na água já representa uma vitória silenciosa. Dessas que não aparecem em manchetes de tragédia — e exatamente por isso importam tanto.

Mais do que férias ocupadas

No fim das contas, o Projeto BOM Peixinho mostra que prevenção não precisa ser sisuda, nem distante. Pode acontecer em meio a risadas, mergulhos controlados e conversas francas. Pode nascer nas férias escolares e durar para a vida inteira.

Porque salvar vidas, muitas vezes, começa antes do perigo aparecer. Começa com informação, cuidado e responsabilidade — ensinados no tempo certo, para quem mais precisa.