Produção e vendas de veículos caem em janeiro e expõem desaceleração no início de 2026

A indústria automotiva brasileira começou 2026 pisando no freio. Em janeiro, a produção de veículos somou cerca de 159,6 mil unidades, uma queda de 12% na comparação com o mesmo mês do ano passado e de 13,5% em relação a dezembro. O resultado reflete um ajuste esperado após o fechamento de ano mais aquecido, mas também sinaliza um início mais cauteloso para o setor.

As vendas acompanharam o movimento. Foram emplacados aproximadamente 170,5 mil veículos no mês, volume quase 40% menor do que o registrado em dezembro. Na comparação anual, a retração foi leve, de 0,4%, influenciada pelo menor número de dias úteis em janeiro. Ainda assim, o dado reforça a percepção de consumo mais contido no começo do ano.

O recuo não foi uniforme. Automóveis e comerciais leves conseguiram manter crescimento no confronto com janeiro de 2025, enquanto os veículos pesados puxaram o resultado para baixo. A produção e as vendas de caminhões e ônibus despencaram, com quedas superiores a 30%, refletindo um ambiente mais restritivo para investimentos no transporte e na logística.

Em meio ao cenário de retração, um dado destoou. Os veículos eletrificados atingiram participação recorde nas vendas, respondendo por cerca de 17% dos emplacamentos de janeiro. Parte relevante desses modelos já é produzida no Brasil, o que indica mudança gradual no perfil do mercado e nas estratégias das montadoras instaladas no país.

As exportações também perderam força no início do ano. O volume enviado ao exterior caiu mais de 18% em relação a janeiro de 2025, impactado principalmente pela menor demanda da Argentina. O desempenho reforça a dependência do setor em relação ao mercado regional e adiciona pressão a um começo de ano marcado por ajustes e incertezas.