Entrou em vigor uma nova etapa das regras do Pix que amplia a proteção contra fraudes financeiras no Brasil. A mudança obriga bancos e instituições financeiras a rastrear o caminho do dinheiro transferido em golpes, aumentando as chances de bloqueio e devolução dos valores às vítimas. A medida, no entanto, não cria cobrança sobre movimentações financeiras nem implica vigilância das operações rotineiras dos clientes.
O mecanismo é acionado exclusivamente em situações de fraude, como golpes, estelionatos ou transferências realizadas sob coerção. Pagamentos comuns — como contas, compras, transferências entre familiares ou amigos — não são afetados pela nova regra.
Como funciona o novo rastreamento
Antes da mudança, quando uma vítima denunciava um golpe via Pix, o bloqueio de valores se limitava à primeira conta que recebeu a transferência. Como criminosos costumam repassar o dinheiro rapidamente para outras contas, a recuperação dos recursos era rara.
Agora, com a ampliação do chamado Mecanismo Especial de Devolução, os bancos passam a seguir o rastro do dinheiro mesmo após novas transferências, identificando contas intermediárias usadas para ocultar os valores. Caso ainda haja saldo disponível, os recursos podem ser bloqueados e devolvidos à vítima.
O pedido de contestação pode ser feito diretamente pelo aplicativo do banco, de forma digital, sem necessidade de atendimento presencial.
Não há fiscalização das operações normais
Autoridades e especialistas reforçam que o novo procedimento não representa fiscalização contínua das contas, nem análise automática de todas as transações feitas via Pix. O sistema só entra em funcionamento quando o próprio cliente comunica uma fraude e há indícios claros de crime.
Na prática, isso significa que o Pix continua funcionando normalmente para a população, sem mudanças no uso cotidiano ou na privacidade dos usuários.
Impacto esperado
Golpes financeiros via Pix cresceram nos últimos anos, impulsionados pela rapidez do sistema e pela atuação de quadrilhas especializadas. A expectativa é que o novo modelo reduza a vantagem dos criminosos, dificultando a dispersão do dinheiro e aumentando a taxa de recuperação dos valores desviados.
Apesar do avanço, especialistas alertam que a devolução não é garantida em todos os casos, especialmente quando o dinheiro já foi sacado ou transferido para fora do sistema bancário antes do bloqueio.
O que fazer em caso de golpe
Ao identificar uma transferência fraudulenta, o cliente deve:
- Registrar imediatamente a contestação no aplicativo do banco;
- Informar que se trata de golpe ou fraude;
- Aguardar a análise da instituição financeira, que poderá acionar o mecanismo de rastreamento.
A iniciativa representa um avanço importante na segurança do Pix, sem criar custos adicionais ou interferir no uso normal do sistema, que segue como um dos principais meios de pagamento do país.
