Novo IR alivia bolso do capixaba em janeiro

Isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil injeta R$ 28 bilhões na economia e beneficia mais de 210 mil capixabas.

A folha de pagamento de janeiro de 2026 marca uma mudança concreta no bolso dos trabalhadores do Espírito Santo. A nova tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), em vigor desde o início do ano, isenta totalmente do tributo quem recebe até R$ 5 mil por mês. No estado, mais de 210 mil contribuintes deixam de pagar imposto, ampliando de forma imediata a renda disponível das famílias.

Em escala nacional, a medida representa uma injeção estimada de R$ 28 bilhões na economia ao longo de 2026. No Espírito Santo, o impacto é direto sobre a classe média assalariada, servidores públicos e aposentados, justamente em um período marcado por despesas concentradas, como IPVA, IPTU, matrícula e material escolar.

A mudança foi sancionada no fim de 2025 e estabelece isenção para rendimentos anuais de até R$ 60 mil. Para garantir o benefício, a Receita Federal aplicou um desconto simplificado no cálculo mensal do imposto, fazendo com que a tributação só passe a incidir acima do limite de R$ 5 mil. Com isso, o número de declarantes isentos no Espírito Santo sobe de cerca de 307 mil para mais de 520 mil pessoas, o equivalente a aproximadamente 65% dos contribuintes do estado.

Além da isenção total, a nova regra criou um sistema de redução gradual do imposto para quem recebe entre R$ 5 mil e R$ 7.350 por mês. Nessa faixa, o valor devido diminui progressivamente conforme a renda se aproxima do limite inferior, evitando um salto brusco na tributação. Acima desse patamar, seguem válidas as alíquotas progressivas tradicionais, que chegam a 27,5% para rendimentos mais elevados.

Na prática, os efeitos já começam a aparecer nos contracheques pagos a partir de fevereiro, quando a retenção na fonte passa a refletir a nova tabela. Para a declaração anual, a ser entregue em 2027, a regra considera todos os rendimentos recebidos ao longo de 2026, mantendo a isenção total até R$ 60 mil e uma redução parcial para ganhos anuais de até R$ 88,2 mil.

Economistas avaliam que o dinheiro que deixa de ser retido tende a circular rapidamente no comércio e no setor de serviços capixaba. O aumento do poder de compra, ainda que diluído mês a mês, fortalece o consumo local e pode gerar efeitos positivos sobre o emprego e a arrecadação estadual.

Para compensar a perda de receita federal, o governo criou mecanismos voltados à alta renda. Entre eles está o Imposto de Renda mínimo para pessoas físicas com rendimentos anuais acima de R$ 600 mil, além da tributação de dividendos elevados pagos a uma mesma pessoa física. A estratégia busca redistribuir a carga tributária sem ampliar o peso sobre salários médios e baixos.

A orientação é que empresas e órgãos públicos já estejam aplicando corretamente a nova tabela. Trabalhadores devem conferir os valores descontados nos contracheques. A médio prazo, a ampliação da isenção pode contribuir para maior estabilidade financeira das famílias e reforçar a atratividade econômica do Espírito Santo.