Mais perto do fim: relógio do juízo final avança e acende alerta máximo sobre o futuro da humanidade

Nunca estivemos tão perto do fim — ao menos simbolicamente. Faltam 85 segundos para a meia-noite.

O Relógio do Juízo Final foi ajustado para 85 segundos antes da meia-noite, o ponto mais crítico desde que o marcador foi criado, em 1947. O anúncio, feito nesta terça-feira (27) pelo Bulletin of the Atomic Scientists, ecoou como um sinal de emergência global.

É um recado direto. E difícil de ignorar.

O relógio não mede horas. Mede riscos. E, segundo os cientistas, eles nunca foram tão altos.

Um mundo pressionado por todos os lados

A decisão de antecipar o ponteiro não se apoia em um único evento. É o resultado de um acúmulo perigoso de ameaças. Algumas antigas. Outras, novas demais para serem totalmente compreendidas.

As tensões nucleares continuam elevadas. A guerra na Ucrânia segue sem solução diplomática clara. O conflito no Oriente Médio se espalha em ondas de instabilidade. Tratados históricos de controle de armas enfraqueceram ou deixaram de existir. O diálogo entre potências nucleares está mais raro — e mais frágil.

Ao mesmo tempo, a crise climática avança sem freios. Recordes de temperatura se repetem. Eventos extremos se tornam rotina. As respostas globais seguem lentas, tímidas, muitas vezes reféns de disputas políticas internas.

E há ainda um novo fator no tabuleiro: a inteligência artificial. Para os cientistas, o avanço acelerado da tecnologia, sem regras claras, amplia riscos de desinformação em massa, erros estratégicos e até decisões automatizadas em cenários militares.

É como se o mundo estivesse dirigindo em alta velocidade, à noite, sob chuva forte — e discutindo quem deveria segurar o volante.

Um símbolo criado por quem conhecia o perigo de perto

O Relógio do Juízo Final nasceu no pós-Segunda Guerra Mundial, criado por cientistas ligados ao Projeto Manhattan, responsáveis pela construção da bomba atômica. Eles sabiam, melhor do que ninguém, o que haviam colocado nas mãos da humanidade.

Desde então, o relógio passou a representar não apenas o risco nuclear, mas todas as ameaças existenciais criadas pelo próprio ser humano.

A meia-noite simboliza a ruptura total. Um ponto sem retorno.

Chegar a 85 segundos dela é, portanto, mais do que um número. É um aviso em letras garrafais.

“Não é para causar pânico, é para provocar ação”

A liderança do Bulletin insiste: o objetivo não é espalhar medo. É pressionar governos, líderes e sociedades a agir enquanto ainda há tempo.

O relógio já andou para trás em outros momentos da história, especialmente quando acordos de desarmamento foram firmados e quando a cooperação internacional prevaleceu sobre a confrontação.

Ou seja: o destino não está selado.

Mas o tempo, esse sim, está curto.

Um espelho desconfortável

O Relógio do Juízo Final funciona como um espelho. Ele reflete escolhas políticas, prioridades econômicas e a capacidade — ou incapacidade — da humanidade de agir de forma coletiva.

Os 85 segundos não significam que o fim é inevitável. Significam que os riscos são reais, conhecidos e ignorados com frequência alarmante.

É duro dizer, mas o relógio não aponta para o futuro.
Ele aponta para nós.