O custo de vida voltou a subir em fevereiro no Brasil. Ainda assim, o ritmo geral da inflação continua moderado.
Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no país, registrou alta de 0,7% no mês. Em janeiro, a variação havia sido de 0,33%.
Mesmo com a aceleração mensal, o resultado em 12 meses ficou em 3,81%, abaixo do registrado anteriormente e dentro da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Na prática, isso significa que os preços continuam subindo, mas sem a pressão intensa observada em outros momentos recentes da economia brasileira.
Educação puxa alta com reajustes típicos do início do ano
O principal impacto no índice de fevereiro veio do grupo educação.
Esse movimento não surpreende economistas. Todo início de ano costuma trazer reajustes nas mensalidades de escolas, universidades e cursos diversos — um efeito quase automático do calendário.
Os aumentos nesses serviços pesaram no bolso das famílias e ajudaram a empurrar o IPCA para cima no mês.
Outro grupo que influenciou o resultado foi o de transportes, pressionado por custos ligados à mobilidade urbana e passagens.
Alimentos seguem com pressão menor
No grupo alimentação e bebidas, a inflação teve comportamento mais moderado.
Alguns produtos ainda subiram, mas outros registraram queda, o que ajudou a conter o índice geral. Em indicadores recentes, itens como arroz, frango e frutas chegaram a apresentar redução de preços em determinadas regiões do país.
Essa desaceleração nos alimentos é relevante. Afinal, esse grupo tem peso importante no orçamento das famílias brasileiras — especialmente entre os domicílios de renda mais baixa.
Energia ajuda a segurar inflação
Outro fator que ajudou a conter uma pressão maior sobre os preços foi a queda da energia elétrica residencial em parte do período analisado.
A manutenção da bandeira tarifária verde, sem cobrança adicional nas contas de luz, contribuiu para aliviar o índice geral.
Esse tipo de variação mostra como decisões regulatórias e condições do setor elétrico podem influenciar diretamente o custo de vida.
O que mede o IPCA
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo é o principal termômetro da inflação no Brasil.
O indicador acompanha a variação de preços de produtos e serviços consumidos por famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos, em várias regiões metropolitanas do país.
Ele serve de referência para decisões importantes da política econômica, especialmente para a definição da taxa básica de juros pelo Banco Central.
Mercado projeta inflação próxima de 4% em 2026
Apesar da alta registrada em fevereiro, as projeções para o restante do ano continuam relativamente estáveis.
Estimativas do mercado financeiro indicam inflação próxima de 3,9% em 2026, segundo projeções do sistema financeiro reunidas pelo Banco Central.
Se confirmada, essa trajetória manteria o país dentro da meta de inflação, cenário que tende a reduzir pressões por aumentos mais agressivos da taxa de juros.
Ainda assim, economistas seguem atentos a fatores que podem alterar esse quadro — como oscilações nos preços de combustíveis, alimentos ou energia.
O que muda no bolso do consumidor
Para o consumidor comum, o número divulgado pelo IBGE revela duas tendências que caminham lado a lado.
Primeiro: os preços continuam subindo — e isso aparece nas mensalidades escolares, no transporte e em serviços do dia a dia.
Mas, ao mesmo tempo, o ritmo de aumento segue relativamente controlado quando comparado a períodos recentes de inflação mais elevada.
Em outras palavras: o custo de vida ainda cresce. Porém, cresce de forma mais lenta.
E, em economia, às vezes é justamente esse detalhe que muda todo o cenário.
