IBGE: Safra agrícola de 2026 deve chegar a 342,7 milhões de toneladas, puxada pela soja e desafios climáticos

Foto: Agência Brasil

A estimativa mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que a safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2026 deve atingir 342,7 milhões de toneladas. O número foi divulgado no Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) referente a janeiro e indica um cenário que mistura continuidade da força da soja com ajuste nas projeções de outras culturas importantes.

O volume estimado representa uma leve redução frente ao resultado recorde de 2025, quando a produção alcançou 346,1 milhões de toneladas, mas ainda mantém o país em patamar elevado de produção agrícola. Há um crescimento de 0,8% em relação ao estimado em dezembro de 2025, mostra o acompanhamento mensal do IBGE.

O que está por trás desses números? O desempenho da soja segue como o principal pilar da safra. A oleaginosa, responsável por cerca de metade do total produzido, tem projeção de produção recorde na série histórica do IBGE, ultrapassando 170 milhões de toneladas, com área colhida crescente e boas condições climáticas até o momento.

Mas nem todos os principais produtos seguram a mesma trajetória. O milho, o arroz e outros grãos básicos para a alimentação e para as exportações apresentam estimativas menores, puxando a média geral para baixo em comparação com o ano anterior.

Distribuição regional e liderança do Centro-Oeste

Como de costume, a produção concentra-se fortemente no Centro-Oeste, que responde por quase metade do total esperado para 2026, com 167,5 milhões de toneladas estimadas. O Sul vem na sequência, com cerca de 95 milhões de toneladas, enquanto Sudeste, Nordeste e Norte compõem o restante do volume.

Entre os estados, o Mato Grosso confirma sua posição como maior produtor nacional de grãos, contribuindo com cerca de 30% da safra total, seguido por Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Juntos, esses estados concentram praticamente 80% da produção agrícola brasileira.

Impactos e contexto do setor

O agronegócio brasileiro vive uma fase de grande relevância global. Em 2025, a produção total de grãos bateu recorde histórico, impulsionada por aumentos tanto de área plantada quanto de produtividade em culturas como soja e milho. Essa expansão tem sido fundamental para alimentar a demanda externa, especialmente da China e de outros grandes mercados importadores, apesar de desafios logísticos e tarifários que vêm surgindo nas relações comerciais internacionais.

Por outro lado, a leve redução projetada para 2026 em relação a 2025 ocorre num contexto em que algumas culturas enfrentam condições climáticas menos favoráveis ou menor expansão de áreas plantadas. O milho, por exemplo, tradicionalmente sensível a chuvas irregulares, e o arroz respondem por parte dessa desaceleração das projeções.

Mesmo diante dessas variações, o Brasil segue como um dos maiores produtores e exportadores agrícolas do mundo, com participação crescente em cadeias como soja, milho e outros grãos que compõem a cesta alimentar global. A expectativa é que o setor continue desempenhando papel central na economia, contribuindo de forma significativa para o saldo da balança comercial.

Safra 2026 em perspectiva

A projeção de 342,7 milhões de toneladas para 2026 representa um novo capítulo na trajetória recente da agricultura brasileira — que já vinha de um ano histórico em 2025 e agora ajusta expectativas sem perder o ritmo de produção elevado. A evolução dos rendimentos médios e das condições climáticas ao longo do ciclo serão determinantes para confirmar ou revisar esses números nas próximas estimativas mensais do IBGE.