Gâmbia vai pagar vítimas de Yahya Jammeh com dinheiro de mansão confiscada nos EUA
A Comissão de Reparações da Gâmbia recebeu cerca de US$ 2,5 milhões da venda de mansão do ex-presidente Yahya Jammeh nos EUA para indenizar vítimas.
A Comissão de Reparações da Gâmbia informou que vai usar os recursos obtidos com a venda de uma mansão nos Estados Unidos, confiscada do ex-presidente Yahya Jammeh, para indenizar vítimas do governo dele. A informação foi divulgada nesta terça-feira (20), quando o órgão anunciou que a arrecadação total chegou a US$ 2.573.414,10.
O imóvel fica em Maryland, na costa leste americana, e pertencia ao antigo líder do país africano. Em 2022, o governo dos Estados Unidos obteve o direito de vender a propriedade, sob a alegação de que ela foi adquirida com recursos de origem criminosa e com verbas públicas gambianas desviadas.
Segundo a comissão, o dinheiro será administrado de forma responsável e transparente, levando em conta os direitos e as necessidades das vítimas e dos sobreviventes. O órgão afirmou que o foco é a reparação de quem sofreu com abusos durante o período em que Jammeh esteve no poder.
Jammeh governou a Gâmbia por mais de 20 anos, após chegar ao poder por meio de um golpe em 1994. Seu governo foi marcado por denúncias de violações de direitos humanos, desaparecimentos forçados e execuções extrajudiciais.
Ele perdeu a eleição de 2016 para Adama Barrow. Inicialmente aceitou a derrota, mas depois rejeitou o resultado. Em 2017, deixou o cargo sob forte pressão regional e internacional, em meio à mobilização de tropas de países da África Ocidental, incluindo o Senegal, e foi para o exílio na Guiné Equatorial.
Uma comissão nacional identificou 281 imóveis de Jammeh dentro da Gâmbia, além da propriedade nos EUA e de outra no Marrocos, e constatou que ele controlava mais de 100 contas bancárias. Como o patrimônio era incompatível com o salário que recebia, a investigação concluiu que ele desviou mais de US$ 300 milhões.
Uma comissão de inquérito também apontou que os abusos generalizados do período resultaram na morte de entre 240 e 250 pessoas, gambianas e estrangeiras, por ação do Estado ou de seus agentes. Jammeh é acusado de estar à frente de assassinatos de opositores políticos, desaparecimentos, estupros e torturas.
A destinação dos valores às vítimas acontece em um país que ainda lida com as marcas de um passado recente de repressão. O caso mostra como bens obtidos por ex-líderes no exterior podem ser usados para reparar pessoas afetadas por abusos cometidos durante seus mandatos.


