FMI: Bolsa Família não reduz participação feminina no mercado de trabalho

Foto: Roberta Aline / MDS - divulgação

O Fundo Monetário Internacional concluiu que o Bolsa Família não provoca redução significativa na participação das mulheres no mercado de trabalho no Brasil.

A avaliação consta em estudo divulgado nesta semana e foi elaborada com base em dados da Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o relatório, não há evidências de que o recebimento do benefício desestimule o ingresso ou a permanência feminina na força de trabalho.

Exceção envolve mães com filhos pequenos

O levantamento aponta, no entanto, uma redução na participação entre mulheres com filhos de até seis anos.

O estudo atribui esse movimento principalmente à sobrecarga de cuidados domésticos e à falta de acesso a creches e serviços de apoio, e não ao valor do benefício.

Dados oficiais mostram que mulheres dedicam quase 10 horas semanais a mais do que os homens a tarefas domésticas e cuidados não remunerados.

Diferença de participação ainda é alta

Atualmente, a taxa de participação feminina no mercado de trabalho está cerca de 20 pontos percentuais abaixo da masculina.

O FMI estima que, se essa diferença cair para 10 pontos até 2033, o Brasil pode registrar aumento médio de até 0,5 ponto percentual no crescimento anual do PIB.

O estudo também destaca que mulheres recebem, em média, salários inferiores aos dos homens, mesmo com nível de escolaridade semelhante.

Perfil das beneficiárias

Cerca de 84% das famílias atendidas pelo Bolsa Família têm mulheres como responsáveis pelo recebimento do benefício.

O relatório indica que a política de transferência de renda contribui para redução da pobreza e da vulnerabilidade social, sem gerar efeito negativo relevante sobre a oferta de trabalho feminina.

Recomendações

O FMI recomenda políticas complementares para ampliar a participação feminina, como:

– Expansão da rede de creches
– Redução da desigualdade salarial
– Incentivo à formalização
– Medidas de compartilhamento das responsabilidades de cuidado

O estudo reforça que programas de transferência de renda não substituem políticas estruturais de igualdade de gênero.