Estudar mais não significa aprender melhor: 4 técnicas para dominar o conteúdo

Passar horas debruçado sobre um livro nem sempre é sinônimo de conhecimento absorvido. Na verdade, a ciência da educação mostra que a repetição mecânica é uma armadilha que gera cansaço, mas pouca retenção. Segundo Carlos Augusto Lima, orientador do Brazilian International School (BIS), o segredo está em trocar a passividade pela ação. Quando você questiona o que lê, o cérebro para de apenas “olhar” e começa a processar. É como trocar uma caminhada sem rumo por um mapa bem traçado: o esforço é o mesmo, mas a chegada ao destino é garantida.

Para textos densos, o método SQ3R (Explorar, Perguntar, Ler, Recitar e Revisar) funciona como um filtro. Em vez de ler tudo de uma vez, você investiga títulos e gráficos primeiro para criar perguntas mentais. Já os flashcards são ferramentas de resgate imediato; ao escrever uma pergunta de um lado e a resposta do outro, você obriga a memória a trabalhar sob demanda. Lima reforça que o valor está na criação desses cartões, pois organizar o pensamento para resumir um conceito já é, por si só, um exercício de aprendizado profundo.

Se você sente que a mente “trava” após muito tempo na mesma matéria, a saída é o estudo intercalado. Alternar entre Matemática e História, por exemplo, mantém o foco renovado e evita a fadiga cognitiva. É um treino de agilidade mental que ajuda a conectar áreas diferentes do saber. No entanto, é preciso cuidado: trocar de assunto exige planejamento para não virar bagunça. O objetivo aqui é dar um “respiro” produtivo ao cérebro, permitindo que ele processe a informação anterior enquanto foca em um novo desafio.

Por fim, a Técnica de Feynman é o teste definitivo de honestidade intelectual. Se você não consegue explicar um tema para uma criança ou um leigo de forma simples, você ainda não o entendeu de verdade. Tente ensinar o conteúdo em voz alta; onde você gaguejar ou se perder nas palavras, ali está a sua falha de compreensão. É nesse ponto exato que você deve voltar aos livros. Integrar essas estratégias transforma o estudo em um processo dinâmico, onde a autonomia do aluno vale muito mais do que o número de páginas lidas no final do dia.