Endividamento das famílias atinge 79,5% e quase metade dos adultos fecha 2025 inadimplente no Brasil

O endividamento das famílias brasileiras alcançou 79,5% em janeiro de 2026, igualando o maior patamar da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC. O índice representa alta em relação ao mesmo período do ano passado e mostra que quase oito em cada dez lares têm algum tipo de dívida ativa, principalmente no cartão de crédito, modalidade presente na ampla maioria dos casos.

Ao mesmo tempo, o país encerrou 2025 com cerca de 73,5 milhões a 81 milhões de inadimplentes, a depender da metodologia utilizada por Serasa e CNDL/SPC Brasil. Isso significa que aproximadamente 44% a 50% da população adulta terminou o ano com contas em atraso ou negativadas. O volume total das dívidas ultrapassa a casa dos R$ 500 bilhões.

Apesar do nível elevado, a taxa de famílias com dívidas em atraso recuou para 29,3% em janeiro, segundo a CNC, indicando uma leve melhora recente. Ainda assim, o percentual permanece alto em termos históricos e mantém pressão sobre o consumo e o acesso ao crédito.

O comprometimento da renda também preocupa. Dados do Banco Central mostram que as famílias destinam cerca de 29% da renda para o pagamento de dívidas e encargos financeiros — o maior nível já registrado. Com parte significativa do orçamento comprometida, sobra menos espaço para consumo e poupança.

O cenário ocorre em meio a juros elevados, com a taxa básica em torno de 15% ao ano ao longo de 2025, e expansão do crédito acima do esperado. A combinação encarece financiamentos e aumenta o risco de inadimplência, sobretudo entre famílias de renda mais baixa, onde o endividamento supera 80%.

Os números consolidam um quadro de endividamento estrutural. Com metade da população adulta inadimplente e a maior parte das famílias recorrendo ao crédito para fechar o mês, 2026 começa com o consumo pressionado e maior cautela de bancos e varejistas na concessão de novos empréstimos.