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Eleições em Israel: extrema direita ganha força entre jovens eleitores de primeira viagem

Pesquisas apontam que mais de 16% dos jovens eleitores de primeira viagem em Israel pretendem apoiar partidos de extrema direita às vésperas da votação.

Por Roberto Andrade ·
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Rejeitado pelo Exército israelense por posições políticas consideradas extremas quando chegou à idade de servir, Itamar Ben-Gvir hoje ocupa o Ministério da Segurança Nacional e faz parte do círculo mais próximo do governo. Suas ideias mudaram pouco nas últimas três décadas, mas o cenário político de Israel mudou bastante, e os jovens aparecem agora como um fator decisivo na disputa eleitoral.

Na campanha para as eleições gerais previstas para a próxima semana, Ben-Gvir costuma ser cercado por grupos de apoiadores jovens, que erguem bandeiras do partido sobre a multidão. Em um mercado coberto de Ramle, cidade mista de judeus e árabes israelenses, ele pediu que os jovens saiam para votar. “Vemos o apoio, vemos o amor, e queremos vencer!”, afirmou.

A eleição deve reunir mais de meio milhão de eleitores de primeira viagem, em um pleito que muitos israelenses consideram existencial para o futuro da segurança e da identidade do país. As pesquisas indicam uma disputa acirrada, e o voto dos mais jovens pode definir o resultado.

Segundo uma pesquisa feita para o jornal Yedioth Ahronoth, mais de 16% desses eleitores pretendem apoiar partidos de extrema direita, como o Poder Judaico, de Ben-Gvir, ou o Sionismo Religioso, de seu aliado Bezalel Smotrich. Outro levantamento, encomendado pelo canal Channel 12, mostra que quase três quartos se definem como de direita ou centro-direita.

Entre os apoiadores ouvidos na campanha, a segurança aparece como principal motivação. Mordechai, de 20 anos, disse que o político “dá uma sensação de segurança” e minimizou os deslizes de linguagem do candidato. Nadav, de 18 anos, afirmou que o líder “vai nos dar segurança” e que, no Exército, alguém estará “por trás” dos soldados. Já Meir Schreiber, de 23 anos, ultraortodoxo criado em Londres, disse que os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, que desencadearam a guerra em Gaza, o convenceram de que Ben-Gvir era a escolha certa.

As posições do candidato, porém, são altamente controversas. Ele defende a anexação da Cisjordânia ocupada, a volta de judeus a Gaza e a “emigração voluntária” de palestinos, propostas amplamente criticadas por israelenses liberais. Vários países ocidentais aplicaram sanções ou proibições de viagem a Ben-Gvir e a Smotrich por incitação contra palestinos, e ambos integram o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Nem todos os moradores de Ramle veem o político com simpatia. Um comerciante disse que ele “semeia discórdia” e que sua mensagem “se aproveita de jovens pouco instruídos”, embora afirme que não há conflito na cidade, mesmo após 7 de outubro.

Para a analista política Dahlia Scheindlin, que já coordenou diversas campanhas eleitorais em Israel, a preferência dos jovens vai além do impacto dos ataques de 7 de outubro. Ela afirma que, há cerca de 20 anos, os jovens judeus israelenses são mais à direita do que a média, e que cresceram em meio a guerras sem experiência concreta de busca pela paz. Segundo ela, temas como anexação e expansão de assentamentos passaram a ser vistos como debate legítimo.

Esse debate também aparece fora da política formal. Vídeos de debates em sala de aula gravados pelo humorista Lior Schleien, que contesta opiniões racistas ou extremas, ganharam grande repercussão, incluindo um em que um estudante defende a morte de todos os cidadãos árabes de Israel. Esse vídeo foi retirado do site do humorista.

As pesquisas mostram que os jovens estão muito motivados a votar, com mais de 80% dizendo que devem comparecer às urnas, mas também são mais céticos em relação às instituições democráticas e menos engajados em protestos e abaixo-assinados. Como a disputa está praticamente empatada entre blocos pró e anti-governo, a mobilização desse eleitorado pode fazer diferença.

A oposição tenta atrair esse público com alertas sobre ameaças à democracia, vídeos nas redes sociais e candidatos mais jovens. Yonatan Shalev, de 24 anos, candidato pelo partido de centro-direita Beyachad, liderado pelo ex-premiê Naftali Bennett, lembrou que, na eleição de 2022, apenas 59% dos moradores de Tel Aviv votaram, e afirmou que Ben-Gvir compreendeu o poder das redes sociais antes dos adversários. Segundo ele, o líder da legenda passou a publicar vídeos no TikTok e no Instagram, incluindo imagens de treinos e conversas nas ruas.

Os jovens também justificam o voto com experiências recentes. Yahlee Reske, de 21 anos, que cumpria serviço militar nacional quando os ataques de 7 de outubro aconteceram, disse que nunca havia prestado atenção à política até então. Pesquisas indicam que, entre os eleitores de primeira viagem, o Beyachad teria cerca de 9% das intenções de voto, percentual semelhante ao do partido Yashar, de Gadi Eisenkot.

A disputa segue dividida. Na última semana, um evento universitário em Tel Aviv foi interrompido por manifestantes que gritavam “O fascismo não vai passar”, e Ben-Gvir precisou deixar o palco. Para analistas citados na reportagem, os jovens podem estar se deslocando para a direita, mas continuam tão divididos quanto o país sobre quem é o guardião da segurança e da identidade israelenses e quem representa uma ameaça existencial.

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