Vitória, segunda-feira 19 de outubro de 2026
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El Niño no Espírito Santo: boletim aponta 83% de chance de fenômeno intenso até dezembro

Boletim da Defesa Civil capixaba aponta 83% de chance de El Niño de intensidade histórica até dezembro, com seca moderada em todo o Estado.

Por Roberto Andrade ·
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CEDEC do ES monitora efeitos do El Niño

O avanço do El Niño no Espírito Santo segue no radar do governo estadual, mesmo com a chuva que cai desde o último sábado (17) e trouxe alívio a parte do território. Segundo o 10º boletim de monitoramento elaborado pela Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (Cepdec), há 83% de chance de o fenômeno atingir, até dezembro, intensidade comparável à dos episódios mais fortes desde 1950.

O El Niño é um aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial, capaz de alterar o regime de chuvas em diversas regiões do planeta. No caso capixaba, os efeitos se somam a outros fatores, como a temperatura do Oceano Atlântico e a circulação atmosférica.

O documento considera dados coletados até 12 de outubro, antes das chuvas recentes. Nesse período, a seca moderada alcançava os 78 municípios do Estado, e Mantenópolis já vivia rodízio no abastecimento de água. Além disso, dez sistemas municipais não haviam informado a situação de seus mananciais.

Projeções da agência climática americana NOAA, citadas no boletim, indicam chance de 100% de um El Niño muito forte nos trimestres de setembro a novembro e de outubro a dezembro. A probabilidade de um evento histórico é de 54% no primeiro período, 83% no segundo e 70% entre novembro e janeiro, quando o aquecimento do Pacífico superaria 2,5 °C acima do normal. O fenômeno pode se estender até o primeiro trimestre de 2027.

Os técnicos pedem cautela. Ainda é cedo para atribuir somente ao El Niño a dimensão dos impactos no território capixaba, já que a distribuição das chuvas também depende do comportamento do Atlântico e da atmosfera.

Volume de chuva, porém, não significa recuperação imediata. A água primeiro repõe a umidade do solo e só depois chega aos rios. Em São Mateus e Marilândia, por exemplo, o balanço hídrico registra deficiência contínua de abril a outubro.

Antes das chuvas, os rios Santa Joana e São Mateus corriam abaixo da metade da vazão de referência usada pela Agerh, e a bacia do Santa Joana já tinha restrições de uso da água. Em agosto, a seca moderada passou a cobrir 100% do território, segundo o Monitor de Secas da ANA. Um ano antes, essa categoria atingia apenas 19,6% do Estado.

Em Mantenópolis, no Noroeste, a Cesan adotou rodízio desde quinta-feira (15), com abastecimento em dias alternados das 7h às 19h. O Córrego Manteninha, que abastece a sede do município, chegou ao nível extremamente crítico, e Barra de São Francisco e Montanha também têm captações em situação crítica.

No total, o número de municípios com captações da Cesan em alerta subiu de oito para 11. Ainda assim, 82 dos 102 pontos monitorados pela companhia seguiam normais. Na Grande Vitória, incluindo a Serra, as captações estavam em situação normal, mas rios e reservatórios operavam no limite.

Dos 25 municípios atendidos por serviços autônomos de água, apenas 15 enviaram informações atualizadas. O caso mais delicado é o de São Mateus, cuja última informação, de 28 de setembro, classificava a captação como extremamente crítica. Como não há dados recentes, o boletim afirma que não é possível presumir que o sistema voltou ao normal.

Pelo satélite de referência do Inpe, setembro teve 35 focos de calor, bem abaixo da média de 92 para o mês, enquanto agosto somou 89. Já entre 1º e 11 de outubro foram detectados 518 focos, com destaque para Pinheiros (68), Aracruz (48) e São Mateus (44). Os técnicos lembram que foco de calor não é necessariamente incêndio e que os dois indicadores não devem ser comparados.

A orientação do Estado segue a mesma: economizar água, evitar queimadas e acionar o Corpo de Bombeiros pelo 193 diante de qualquer foco de fogo.

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