Desastres naturais deixam rastro de mortes e milhões em risco no Brasil desde 2006

Chuvas extremas em Juiz de Fora expõem vulnerabilidade crescente; levantamentos mostram milhões de brasileiros vivendo em áreas de risco.

Os desastres naturais têm causado perdas humanas e econômicas severas no Brasil e no mundo desde 2006, com enchentes, deslizamentos e tempestades cada vez mais frequentes. Em Juiz de Fora e Ubá, o número de mortos já chega a 49 após as chuvas intensas que atingiram a Zona da Mata mineira, deixando ainda dezenas de desaparecidos e milhares de desabrigados. A tragédia destaca a conexão entre mudanças climáticas, ocupação de áreas de risco e políticas públicas insuficientes de prevenção.

Levantamentos recentes revelam que quase 5 milhões de brasileiros vivem em áreas suscetíveis a desastres naturais, como enchentes e deslizamentos — um número que pode chegar a cerca de 9 milhões segundo estudos mais amplos — com mais de 1.900 municípios mapeados como zonas de risco. Esse cenário torna comunidades inteiras vulneráveis a tragédias climáticas, enquanto as mudanças no padrão de chuvas e eventos extremos se tornam mais intensas.

Desde 2006, o Brasil registrou uma série de desastres naturais com impacto humano e econômico graves. Notáveis entre eles estão as enchentes e deslizamentos na Região Serrana do Rio de Janeiro em 2011, que deixaram mais de 900 mortos e causaram prejuízos bilionários, e as enchentes em Petrópolis em 2022, com mais de 230 mortos. Dados do IBGE e do Cemaden mostram que estados como Minas Gerais, São Paulo e Bahia concentram grandes contingentes de habitantes em áreas de risco, reforçando a necessidade de políticas urbanas e de prevenção baseadas em ciência e planejamento.

Em Juiz de Fora, a tragédia recente expõe a magnitude da vulnerabilidade urbana: cerca de 128 mil pessoas vivem em locais identificados como suscetíveis a desastres, o que representa quase um quarto da população local, e a combinação de chuva intensa em poucas horas intensificou deslizamentos e alagamentos. Especialistas em clima e urbanismo alertam que o aquecimento global aumenta a frequência de eventos extremos e eleva o risco para comunidades sem infraestrutura adequada ou políticas de prevenção efetivas.

Portanto, mais do que estatísticas, os desastres naturais representam vidas interrompidas e desafios crescentes de adaptação. A tragédia em Juiz de Fora é um alerta claro de que políticas públicas, investimento em infraestrutura resiliente e remoção de moradores de áreas de risco não podem mais ser adiados. A prevenção pode salvar vidas e reduzir prejuízos, mas requer ação imediata e integrada entre governos, sociedade civil e especialistas.