O Espírito Santo inicia, neste domingo (4), o primeiro período de defeso do caranguejo-uçá (Ucides cordatus) em 2026. A medida vale para todo o território capixaba e segue até o dia 9 de janeiro, com proibição da captura, transporte, armazenamento e comercialização da espécie. O objetivo é proteger o ciclo reprodutivo do crustáceo, fundamental para a manutenção dos manguezais e da pesca tradicional.
O período coincide com o fenômeno conhecido como “andada”, quando os caranguejos deixam suas tocas para acasalar e liberar ovos. Nessa fase, eles ficam mais vulneráveis à captura, o que pode comprometer a reposição natural da espécie. Por isso, além da coleta, ficam vetadas práticas como beneficiamento, industrialização e manutenção em cativeiro, inclusive a venda de partes do animal.
O calendário estadual prevê sete períodos de defeso entre janeiro e abril, sempre alinhados às fases de lua cheia e lua nova, quando a andada se repete. Após o intervalo de 4 a 9 de janeiro, novas restrições ocorrem entre 19 e 24 de janeiro, 2 e 7 de fevereiro, 18 e 23 de fevereiro, 4 e 9 de março, 19 e 24 de março e 18 e 23 de abril.
A fiscalização ocorre em manguezais, feiras, bares, restaurantes e pontos de venda em todo o estado. Quem descumprir as regras está sujeito a multas, apreensão do produto e outras sanções previstas na legislação ambiental. A orientação é que consumidores evitem comprar caranguejo-uçá durante os períodos de proibição e denunciem irregularidades aos canais oficiais.
O defeso do caranguejo-uçá é uma das principais estratégias de preservação dos ecossistemas costeiros capixabas. Ao garantir a reprodução da espécie, a medida busca equilibrar a proteção ambiental com a continuidade da atividade pesqueira, que sustenta comunidades tradicionais ao longo do litoral do Espírito Santo.
