Da Venezuela à Groenlândia: a política do poder que desafia a soberania e testa o silêncio do mundo

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O mundo assiste a uma mudança perigosa no discurso das grandes potências. As palavras importam, sobretudo quando vêm acompanhadas de força militar e pressão econômica. Após a Venezuela, a Groenlândia entrou no radar do presidente dos Estados Unidos. Não como parceira estratégica, mas como território desejado. A pergunta que ecoa nas chancelarias é simples e incômoda: até quando isso será tratado como retórica?

As recentes ameaças de Donald Trump à Groenlândia não podem ser analisadas isoladamente. Elas surgem logo após a escalada norte-americana na Venezuela, marcada pelo sequestro de Nicolás Maduro e por declarações explícitas sobre o controle do petróleo venezuelano. Em ambos os casos, o discurso segue a mesma linha. Segurança nacional, interesses estratégicos e recursos naturais aparecem como justificativa para ações unilaterais.

Na Venezuela, o petróleo foi tratado como ativo geopolítico. Trump deixou claro que a reorganização do setor energético era parte central do novo cenário pós-Maduro. A narrativa oficial falou em estabilidade e combate ao crime. Na prática, o foco recaiu sobre a maior reserva de petróleo do planeta. O recado foi direto: recursos estratégicos não ficariam fora do alcance de Washington.

Pouco depois, o mesmo raciocínio foi aplicado à Groenlândia. Ao afirmar que os Estados Unidos “precisam” da ilha, Trump deslocou o debate para além da diplomacia. A Groenlândia é território autônomo, mas pertence ao Reino da Dinamarca, integrante da OTAN. Ainda assim, o discurso ignorou acordos, soberania e normas internacionais.

A reação foi firme. O governo da Groenlândia declarou que não aceitará ameaças nem fantasias de anexação. A Dinamarca reforçou que a ilha não está à venda e que qualquer debate passa pelo direito internacional. Líderes europeus demonstraram preocupação. Mesmo assim, o tom das declarações norte-americanas não recuou.

A ligação entre Venezuela e Groenlândia é clara. Nos dois casos, Trump trata territórios como peças estratégicas de um tabuleiro global. O petróleo venezuelano e os recursos do Ártico ocupam o mesmo espaço na lógica do poder. Não se trata de ideologia. Trata-se de controle econômico, militar e geopolítico.

O problema vai além dos países diretamente envolvidos. Quando ameaças desse tipo não recebem resposta firme e coordenada, o princípio da soberania se fragiliza. O direito internacional perde força. Abre-se espaço para que a lógica do mais forte substitua regras construídas ao longo de décadas.

Da América do Sul ao Ártico, o que se vê é uma política externa que testa limites. Testa aliados. Testa instituições. Testa o silêncio do mundo. A história mostra que o custo de ignorar esse tipo de movimento costuma ser alto. E quase nunca recai apenas sobre quem é diretamente ameaçado.

As perguntas que ficam: o que mundo fará se a China anexar Taiwan e o presidente da Rússia, Vladimir Putin sequestrar o presidente Ucraniano Volodymyr Zelensky para ser julgado por crimes de guerra?