Ataque americano à Venezuela expõe disputa energética e levanta receios sobre Taiwan, Ucrânia e outros focos de tensão

Imagem: Gemini AI

A ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela acendeu um sinal de alerta nas principais capitais do mundo. Mais do que um episódio regional, o ataque expôs o enfraquecimento das regras que sustentam a ordem internacional. Quando uma grande potência recorre à força sem mediação efetiva de organismos multilaterais, outros atores globais passam a testar seus próprios limites. O temor não é de uma guerra mundial imediata, mas da normalização do uso da força como instrumento político. Em diferentes regiões do planeta, conflitos latentes ganham novo fôlego em um cenário de diplomacia fragilizada.

China, Venezuela e o petróleo: um eixo estratégico sensível

No centro da crise venezuelana está um fator decisivo para o tabuleiro global: o petróleo. A Venezuela detém as maiores reservas comprovadas do mundo e, atualmente, a China é sua principal compradora.

Estimativas do setor energético indicam que cerca de 80% do petróleo exportado pela Venezuela tem como destino refinarias chinesas, mesmo diante de sanções impostas pelos Estados Unidos. Esse fluxo se mantém por meio de rotas comerciais complexas e acordos bilaterais que aprofundaram, ao longo dos últimos anos, a dependência econômica de Caracas em relação a Pequim.

Esse dado altera significativamente a leitura geopolítica da crise. Qualquer tentativa de reconfiguração forçada do poder na Venezuela atinge não apenas o governo de Nicolás Maduro, mas também interesses energéticos diretos da China, hoje um dos principais sustentáculos econômicos do país sul-americano.

Para analistas internacionais, essa relação ajuda a explicar por que Pequim acompanha o episódio com atenção redobrada: trata-se não apenas de soberania ou diplomacia, mas de segurança energética em larga escala.

China e Taiwan: cautela estratégica, não passividade

A crise na Venezuela funciona, para a China, como um teste indireto da reação internacional ao uso unilateral da força. Taiwan continua sendo o ponto mais sensível da política externa chinesa.

Pequim tem ampliado exercícios militares ao redor da ilha, endurecido o discurso político e aumentado a pressão diplomática. Ainda assim, especialistas avaliam que uma invasão direta permanece improvável no curto prazo, devido ao alto custo econômico, ao risco de sanções severas e à possibilidade de confronto direto com os Estados Unidos e aliados asiáticos.

A estratégia chinesa segue sendo gradual: avançar sem romper completamente as linhas vermelhas do sistema internacional.

Rússia e Ucrânia: escalada possível, mas com limites claros

A Rússia já está envolvida em guerra aberta com a Ucrânia. O risco agora é de endurecimento do conflito, não de sua eclosão.

Moscou pode intensificar ataques, ampliar a pressão territorial e usar energia, migração e desinformação como instrumentos de pressão política. No entanto, o desgaste militar, o impacto econômico das sanções e o isolamento diplomático limitam uma escalada sem controle.

O conflito segue sendo um dos principais fatores de instabilidade na Europa e no sistema internacional.

Outros focos de preocupação global

Além de China e Rússia, outros pontos do planeta concentram riscos crescentes:

  • Oriente Médio: guerras prolongadas, presença de milícias armadas e disputas regionais mantêm a região em permanente tensão.
  • Península Coreana: testes de mísseis e retórica agressiva da Coreia do Norte aumentam o risco de incidentes militares.
  • África: conflitos armados, golpes militares e disputas por recursos avançam longe dos holofotes, agravados pela ausência de respostas globais coordenadas.

Em todos esses cenários, a fragilização das regras internacionais amplia o risco de erros de cálculo.

O problema central: enfraquecimento da diplomacia

O elemento comum entre essas crises é o enfraquecimento do multilateralismo. Organismos internacionais enfrentam bloqueios políticos, enquanto grandes potências demonstram disposição crescente para agir de forma unilateral.

Especialistas alertam que o maior perigo não está em uma guerra global imediata, mas na consolidação de um mundo mais instável, onde a força passa a substituir o diálogo como regra.

Reflexos para o Brasil e a América do Sul

Para o Brasil, o cenário reforça a importância da diplomacia e da defesa da solução pacífica de conflitos. A crise venezuelana afeta diretamente a estabilidade regional, com impactos potenciais sobre migração, comércio e segurança.

Na América do Sul, cresce a preocupação de que disputas entre grandes potências transformem a região em palco secundário de interesses externos, repetindo padrões históricos de instabilidade.