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Crise humanitária no Haiti: ONU pede ação coordenada e ajuda urgente diante da violência de gangues

Conselho de Segurança da ONU debate violência de gangues no Haiti, com mais de mil mortes entre julho e setembro e cerca de 1,5 milhão de deslocados.

Por Roberto Andrade ·
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Crise humanitária no Haiti: ONU pede ação coordenada e ajuda urgente diante da violência de gangues
Imagem ilustrativa. Foto: Julien Harneis / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

A crise humanitária no Haiti continua a exigir prioridade da comunidade internacional, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). O tema foi debatido nesta segunda-feira (19) em reunião entre os Estados-membros do Conselho de Segurança e lideranças da organização.

Segundo o representante especial do secretário-geral no país, Carlos Ruiz Massieu, a violência armada e a expansão territorial das gangues produzem uma crise humanitária sem precedentes, que atinge milhões de haitianos. Ele também afirmou que esses grupos seguem desafiando diretamente a autoridade do Estado.

Apesar das operações intensas das forças de segurança, a insegurança generalizada persiste. A atuação conta com o apoio crescente da Força de Supressão de Gangues (GSF), presente na área metropolitana de Porto-Príncipe e no Departamento de Artibonite.

A força é liderada pelo Quênia e já reúne mais de 2 mil efetivos vindos de seis países. O contingente representa pouco mais de um terço do total autorizado pela ONU, e a missão enfrenta desafios logísticos críticos para movimentar equipamentos e recursos de inteligência.

De acordo com a organização, as gangues têm recorrido a violência retaliatória contra comunidades, tomada de reféns e intimidação para manter o controle territorial. Ataques indiscriminados na comunidade de Kenscoff, que motivaram uma reunião de emergência do Conselho de Segurança, e incidentes em áreas rurais ilustram a brutalidade e a expansão geográfica da crise.

No trimestre entre julho e setembro, a violência deixou mais de mil mortes, incluindo mais de 650 integrantes de gangues. Mais de 100 pessoas foram sequestradas, e há índices alarmantes de violência sexual em meio à expansão de grupos de autodefesa.

A nova onda de insegurança nos últimos três meses deslocou mais de 17 mil pessoas e elevou o total de deslocados internos para cerca de 1,5 milhão, dos quais mais de 740 mil são crianças. Segundo a ONU, a economia haitiana caminha para sua sétima contração consecutiva em 2026.

O Plano de Resposta Humanitária deste ano conta com menos da metade dos recursos necessários. Sem aumento do apoio internacional, a distância entre as necessidades da população e a ajuda efetiva tende a crescer.

Entre os avanços citados estão o aumento do financiamento do governo haitiano para a Polícia Nacional e as Forças Armadas do Haiti, além da expansão operacional da Força de Supressão de Gangues com apoio do Gabinete de Apoio da ONU no Haiti. Para a organização, porém, operações de segurança sozinhas não bastam.

A ONU defende uma abordagem abrangente liderada pelos próprios haitianos, que combine recuperação territorial, presença permanente do Estado e desarmamento, desmobilização e reintegração de integrantes de gangues, com atenção especial às crianças recrutadas. O enviado pediu que os países mantenham o engajamento político e financeiro, inclusive com contribuições ao Fundo Fiduciário da Força de Supressão de Gangues e ao Fundo de Dividendo de Paz para o Haiti.

Para o representante, as melhorias no país dependem de forte liderança nacional, apoio internacional contínuo e avanço rumo à restauração das instituições democráticas.

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