Crise hídrica no ES: furtos e sabotagem agravam falta de água em pleno verão

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Milhares de moradores em pelo menos seis cidades capixabas enfrentam torneiras secas desde o Natal. A Cesan aponta ações criminosas como causa principal do colapso no sistema de abastecimento durante a alta temporada.

Moradores de Guarapari, Vila Velha, Vitória, Cariacica, Viana e Anchieta atravessam dias sem água em meio ao calor intenso do verão capixaba. A crise começou na última semana de dezembro e se estende até este início de 2026, período em que a população de algumas cidades turísticas chega a crescer oito vezes.

A Companhia Espírito-Santense de Saneamento identificou ligações irregulares em Cachoeirinha, Guarapari, na tarde de terça-feira (30). Segundo a empresa, os desvios abasteciam um haras, sítios e cerca de 500 residências sem autorização. Após o corte das captações clandestinas, vândalos destruíram equipamentos da rede e sabotaram o sistema de captação. Carros da companhia também foram danificados durante os atos. Em Vila Velha, uma tentativa de furto de cabos no sistema elétrico causou a queima de uma bomba que abastece Ponta da Fruta. Na madrugada de quinta-feira (2), nova tentativa de roubo de gerador foi registrada na mesma estação.

O Ministério Público do Espírito Santo notificou a Cesan e exigiu o restabelecimento imediato do fornecimento em nove bairros de Vitória. O documento concedeu 48 horas para apresentação de cronograma e soluções definitivas. Moradores relatam dificuldades para tarefas básicas como banho e limpeza. O preço da água mineral disparou em Guarapari: galões de 20 litros subiram de R$ 10 para R$ 25 e caixas d’água de mil litros passaram de R$ 250 para R$ 500.

A empresa disponibiliza carros-pipa pelo telefone 115, aplicativo ou WhatsApp (27) 3422-0115. A normalização pode demorar mais que o habitual devido às altas temperaturas e ao consumo elevado no período. A Cesan reforça que furto de água é crime e compromete o abastecimento coletivo.