COP30 aprova pacote climático com mais recursos para adaptação, mas deixa combustíveis fósseis fora do texto final

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

A COP30, realizada em Belém, encerrou-se com a aprovação do chamado Pacote de Belém, que estabelece a meta de triplicar o financiamento global para adaptação climática até 2035. O plano prevê um volume anual estimado em US$ 1,3 trilhão, acompanhado de um novo quadro de responsabilização com indicadores para monitorar o uso dos recursos. A proposta busca fortalecer países vulneráveis diante de eventos extremos, reforçando mecanismos de transparência e planejamento.

Apesar do avanço financeiro, o texto final provocou críticas porque não cita combustíveis fósseis nem estabelece um cronograma de eliminação progressiva dessas fontes. ONGs e especialistas afirmaram que o resultado revela uma distância crescente entre o consenso científico e o ritmo das negociações internacionais. Mesmo assim, o documento incorpora compromissos adicionais de transição justa e medidas para reduzir desigualdades na distribuição dos impactos climáticos.

Nos bastidores, a discussão sobre fósseis dividiu países produtores e grandes economias, dificultando a construção de um consenso. Delegações de nações vulneráveis pressionaram por metas mais claras para cortes de emissões, mas enfrentaram resistência de blocos que defendem maior flexibilidade. Com isso, a presidência brasileira buscou costurar um texto que garantisse avanços no financiamento sem provocar impasses diplomáticos.

O Brasil anunciou ainda que apresentará dois mapas do caminho após a conferência: um voltado à descarbonização e outro ao financiamento climático, ambos previstos para 2026. A intenção é orientar ações até a próxima rodada de negociações, oferecendo diretrizes sobre transição energética, adaptação e gestão dos recursos pactuados. Esses documentos devem detalhar metas setoriais e mecanismos de monitoramento.

Mesmo com conquistas parciais, organizações ambientais afirmam que a COP30 deixa desafios importantes para os próximos anos. Entre eles estão a falta de metas obrigatórias para redução de emissões e a ausência de um compromisso explícito com a eliminação dos fósseis, considerados centrais no agravamento do aquecimento global. Para especialistas, será decisivo observar como os países transformarão o financiamento ampliado em políticas climáticas concretas.