Reportagem do francês Le Monde revela essa tendência de coletivizar essa atividade íntima.
Há gestos que pareciam destinados ao silêncio, ao segredo, ao quarto fechado. Mas, em algumas cidades, esse gesto se tornou partilhado — sem espetáculo, sem urgência, apenas presença. A recente reportagem do Le Monde revelou clubes onde homens se reúnem para se masturbar juntos, em encontros marcados por consentimento e discrição. Esses espaços, porém, não se definem pelo sexo explícito, e sim pela busca de pertencimento e pela vontade de viver o prazer sem vergonha. Ao mesmo tempo, o fenômeno expõe a transformação da intimidade masculina em um mundo que ainda cobra silêncios e máscaras emocionais.
Nesses encontros, ninguém é obrigado a tocar ninguém, a conversar ou a criar vínculos que não deseja. São ambientes cuidadosamente organizados, onde as regras são claras e o respeito é inegociável. Há quem vá apenas para sentir-se acompanhado em um momento antes solitário; outros buscam observar seus semelhantes sem pressa ou julgamento. Um participante ouvido pela imprensa europeia descreveu a experiência como “um alívio do corpo e da alma, porque ali eu não preciso provar nada para ninguém”.
Especialistas em comportamento afirmam que esses clubes revelam um deslocamento importante: o corpo masculino, historicamente vigiado pela exigência de força e autocontrole, começa a admitir vulnerabilidade. A masturbação coletiva surge, então, não como provocação, mas como um espaço de descompressão emocional e sensorial. Em um tempo de hiperconexão digital, onde o desejo frequentemente se transforma em performance, esses encontros propõem outra lógica: olhar, sentir, existir — sem gravar, sem postar, sem competir.
Ainda assim, o tema provoca debate. Há quem enxergue nesses espaços uma forma adulta e consciente de erotismo compartilhado, onde se aprende a negociar limites e a respeitar o outro. Outros temem riscos de saúde ou banalização do corpo. Profissionais da saúde sexual defendem que o diálogo aberto — sem moralismos, sem pânico — é fundamental para garantir que experiências íntimas sejam vividas com cuidado, informação e responsabilidade.
No fim, esses clubes não falam apenas de sexo. Falam de como nos aproximamos, de como lidamos com o prazer, com a vergonha, com o desejo de sermos vistos e, ao mesmo tempo, protegidos. Falam de homens que, pouco a pouco, aprendem a existir sem a necessidade constante de dureza e silêncio. E mostram que a intimidade, mesmo quando compartilhada, pode continuar sendo profundamente humana e delicada.
