Você entra no mercado achando que vai gastar o mesmo de sempre. Sai com duas sacolas e uma conta maior. Não é impressão. Em dezembro, o preço da cesta básica aumentou em 17 das 27 capitais brasileiras. O dado confirma o que muita gente já sentia no dia a dia: comer ficou mais caro, e rápido.
A maior alta do mês foi registrada em Maceió, onde o valor da cesta subiu 3,19%. Belo Horizonte e Salvador vieram logo atrás. O peso maior veio da carne bovina, que ficou mais cara em quase todo o país. A batata também subiu e ajudou a empurrar os preços para cima. Quando esses itens encarecem ao mesmo tempo, o impacto é direto. O carrinho fica mais leve. A conta, não.
Algumas capitais do Norte seguiram na contramão e fecharam dezembro com queda no custo da cesta básica, como Porto Velho, Boa Vista e Rio Branco. A explicação passa pela oferta local e pela composição diferente dos alimentos nessas regiões. Ainda assim, o cenário nacional é de alta, concentrada principalmente nos grandes centros urbanos.
São Paulo segue com a cesta básica mais cara do Brasil, acima de R$ 845. Florianópolis, Rio de Janeiro e Cuiabá também aparecem entre as capitais com maior custo. Do outro lado da lista estão Aracaju e a própria Maceió, que apesar da maior alta mensal, ainda mantém um valor médio mais baixo em comparação com o Sul e o Sudeste. O contraste escancara um país desigual até no prato.
Os números ficam ainda mais duros quando entram na conta os salários. Para sustentar uma família de quatro pessoas com o básico, o salário mínimo ideal precisaria passar de R$ 7 mil. O valor oficial não chega nem perto disso. Na prática, o trabalhador compromete quase metade do mês apenas para garantir comida na mesa, antes mesmo de pagar aluguel, luz, água ou transporte.
A alta da cesta básica não é só estatística. Ela aparece no café mais ralo, na carne que vira exceção, na troca constante de marcas no supermercado. É um ajuste silencioso, feito todo dia, sem discurso, mas com efeito real. Enquanto os preços sobem, o poder de compra encolhe. E aí fica fácil entender por que tanta gente sente que trabalha mais e vive menos.
