Um estudo baseado nos dados do Censo Demográfico 2022 estima que aproximadamente 300 mil brasileiros com 60 anos ou mais apresentam algum grau de Transtorno do Espectro Autista (TEA). O número revela uma realidade ainda pouco visível no país: o envelhecimento de pessoas autistas, muitas delas sem diagnóstico ao longo da vida. Entre os idosos, a prevalência é maior entre homens do que entre mulheres, seguindo o padrão observado em outras faixas etárias.
O levantamento indica que o autismo não desaparece com o tempo, mas o reconhecimento da condição na velhice ainda enfrenta barreiras. Durante décadas, os critérios diagnósticos eram mais restritos e pouco difundidos, o que fez com que muitos idosos crescessem e envelhecessem sem saber que estavam no espectro. Além disso, sinais do TEA costumam ser confundidos com quadros comuns do envelhecimento, como depressão, ansiedade ou declínio cognitivo.
Com isso, especialistas alertam para um vazio nas políticas públicas de saúde voltadas aos idosos autistas. Essa população tende a apresentar maior risco de comorbidades clínicas e transtornos mentais, além de enfrentar dificuldades no acesso a serviços de saúde adaptados às suas necessidades. A ausência de profissionais capacitados para identificar e acompanhar esses casos agrava o problema.
Por outro lado, quando o diagnóstico acontece, mesmo que tardiamente, ele costuma trazer alívio e compreensão. Muitos idosos passam a entender melhor desafios vividos ao longo da vida, especialmente nas relações sociais, na comunicação e na sensibilidade a estímulos. Esse reconhecimento pode contribuir para uma melhor qualidade de vida, desde que venha acompanhado de suporte adequado.
O avanço dos dados ajuda a lançar luz sobre um grupo historicamente invisibilizado e reforça a urgência de estratégias específicas para o cuidado de pessoas autistas na terceira idade, em um país que envelhece rapidamente e ainda engatinha na inclusão desse público no sistema de saúde.
