O mercado automotivo mundial atravessou um ponto de virada em 2025. Pela primeira vez, as vendas de carros 100% elétricos superaram as de veículos movidos exclusivamente a gasolina na União Europeia. No cenário global, os elétricos já respondem por 25% de todos os carros novos vendidos, consolidando uma mudança estrutural no setor.
Na Europa, o avanço ficou evidente no fechamento do ano. Os veículos elétricos a bateria ultrapassaram, ainda que por margem apertada, os modelos a gasolina nas novas matrículas. O dado marca o enfraquecimento definitivo de um domínio que durou mais de um século e reforça o impacto das metas ambientais, da oferta crescente de modelos e da mudança no comportamento do consumidor europeu.
A transição, antes lenta e cheia de resistência, agora ganha ritmo próprio. Mesmo com a redução de alguns incentivos governamentais em países do bloco, a eletrificação segue avançando. Montadoras tradicionais aceleraram lançamentos, ampliaram linhas elétricas e passaram a disputar espaço com fabricantes asiáticos, que chegaram ao mercado europeu com preços mais competitivos.
Um quarto do mercado mundial já é elétrico
Fora da Europa, o movimento é igualmente significativo. Em 2025, um em cada quatro carros vendidos no mundo foi elétrico. O número deixa claro que a mobilidade elétrica deixou de ser tendência de nicho e passou a ocupar o centro do mercado global.
A China continua sendo o principal motor dessa transformação. O país lidera com folga em volume de vendas, produção e desenvolvimento tecnológico, influenciando preços e padrões adotados em outros mercados. A expansão chinesa tem efeito direto sobre a oferta global, pressionando concorrentes e acelerando a transição em diferentes regiões.
Nos Estados Unidos, o cenário é mais cauteloso. As vendas de elétricos continuam crescendo, mas em ritmo inferior ao observado na Europa e na Ásia. Mudanças em políticas de incentivo, debates sobre infraestrutura e o custo dos veículos ainda limitam uma adoção mais acelerada.
Mais do que números
O avanço dos carros elétricos não se resume a estatísticas de mercado. Ele redefine cadeias produtivas, impacta a indústria do petróleo, exige novos investimentos em infraestrutura de recarga e se conecta diretamente às metas de redução de emissões de carbono.
É uma transformação que começa a se sustentar menos em subsídios e mais em escolhas práticas: custo de uso menor, avanço da autonomia das baterias e maior variedade de modelos. Aos poucos, o carro elétrico deixa de ser exceção e passa a ser opção real para o consumidor médio.
O que vem pela frente
A expectativa para 2026 é de continuidade no crescimento, ainda que em velocidades diferentes entre países. Modelos mais acessíveis devem chegar ao mercado, a rede de recarga tende a se expandir e a pressão por soluções menos poluentes seguirá no centro do debate global.
A indústria automotiva entrou em uma nova fase. E, ao que tudo indica, não há marcha à ré.
