A primeira noite de desfiles do Carnaval de Vitória 2026 marcou a abertura oficial da temporada carnavalesca no Espírito Santo. Na noite de sexta-feira (6), o Sambão do Povo recebeu cinco escolas do Grupo Especial, inaugurando um novo formato da festa: neste ano, dez agremiações disputam o título, divididas em duas noites consecutivas.
Entraram na avenida, nesta ordem, Pega no Samba, Novo Império, Unidos de Jucutuquara, Mocidade Unida da Glória (MUG) e Imperatriz do Forte. Ao longo da noite, os enredos giraram em torno de temas recorrentes na história do Carnaval capixaba: ancestralidade, espiritualidade, protagonismo feminino, memória cultural e relação com a natureza.
Sem excessos, a tônica foi narrativa. Cada escola apresentou sua proposta com foco no desenvolvimento do enredo, na condução do samba e na ocupação da pista, em uma noite marcada mais pela mensagem do que por efeitos grandiosos.
Pega no Samba abre os desfiles com referência à espiritualidade e à natureza
Responsável por abrir a noite, a Pega no Samba levou para a avenida o enredo “Okê Caboclo Sete Flechas – Guardião Ancestral da Natureza”. A escola construiu uma narrativa centrada na figura do caboclo como símbolo de proteção, sabedoria e equilíbrio entre o ser humano e o meio ambiente.
O desfile apostou em referências às tradições afro-indígenas, com alas representando elementos naturais, rituais e forças espirituais ligadas à terra. O samba foi conduzido de forma linear, favorecendo o canto da comunidade e estabelecendo o clima da noite.
Novo Império destaca a força feminina e os saberes ancestrais
Na sequência, a Novo Império apresentou o enredo “Aruanayê – Guardiãs dos Mistérios Ancestrais”. A proposta colocou a mulher como eixo central da narrativa, associando o feminino à transmissão do conhecimento, à espiritualidade e à preservação da vida.
Apesar de intercorrências técnicas no início do desfile, a escola conseguiu manter o desenvolvimento do enredo ao longo da pista. As alas dialogaram com a ideia de guardiãs do tempo e da memória, enquanto o samba reforçou a noção de continuidade entre passado e presente.
Unidos de Jucutuquara leva entidade feminina e cultura popular para a avenida
A terceira escola da noite, Unidos de Jucutuquara, apresentou o enredo “Arreda, homem, que aí vem mulher”. A narrativa teve como figura central Maria Padilha, personagem presente em tradições populares e cultos de matriz africana.
O desfile foi construído a partir de símbolos recorrentes, como a rosa, utilizada para representar poder, resistência e identidade feminina. A escola apostou em uma leitura direta da cultura popular, sem recorrer a metáforas excessivas, priorizando clareza e coesão narrativa.
MUG mistura história, ciência e meio ambiente
A Mocidade Unida da Glória (MUG) levou para o Sambão o enredo “O Diário Verde de Teresa”. A escola contou a história de Teresa da Baviera, naturalista que percorreu o Espírito Santo no século XIX registrando a fauna e a flora locais.
O desfile combinou elementos históricos e científicos, apresentando a biodiversidade capixaba como fio condutor. A proposta se destacou pela organização visual e pela forma como conectou pesquisa, meio ambiente e memória, mantendo o ritmo constante ao longo da apresentação.
Imperatriz do Forte encerra a noite com foco nas raízes culturais
Fechando a primeira noite, a Imperatriz do Forte apresentou o enredo “Xirê: Festejo às Raízes”. A escola propôs uma reflexão sobre celebração, religiosidade e resistência cultural, aproximando o Carnaval dos rituais coletivos que atravessam gerações.
O desfile seguiu uma linha mais contida, priorizando a leitura do enredo e a evolução das alas. A proposta buscou reforçar a ideia de continuidade cultural, encerrando a noite com uma abordagem centrada na memória e na identidade.
Novo formato amplia o alcance do Carnaval de Vitória
A edição de 2026 marca uma reorganização do Carnaval de Vitória, com os desfiles do Grupo Especial distribuídos em duas noites. A mudança amplia o tempo de apresentação das escolas e dilui o calendário da festa, fortalecendo a visibilidade do evento.
Além do aspecto cultural, o Carnaval movimenta a economia da capital, gerando empregos temporários e impacto direto em setores como hotelaria, alimentação, transporte e serviços. A programação também inclui ações de conscientização social e iniciativas voltadas à sustentabilidade, integradas ao ambiente da festa.
A segunda noite de desfiles acontece neste sábado (7), com a apresentação das demais escolas do Grupo Especial, mantendo a disputa aberta pelo título de campeã do Carnaval de Vitória 2026.
