Carnaval 2026: saúde pública reforça uso de camisinha

Campanha distribui 138 milhões de preservativos e mira queda no uso entre jovens.

A poucos dias do início oficial do Carnaval 2026, o Ministério da Saúde lançou uma campanha ampla para reforçar a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), incluindo HIV, sífilis e hepatites, com foco especial no uso de preservativos. A estratégia, que se estende para além dos dias de folia, soma distribuição de insumos, conscientização e oferta de medidas adicionais de proteção.

A ação ganhou corpo sob o slogan “Carnaval com prevenção. Antes, durante e depois da folia, é o Governo do Brasil do seu lado”. A ideia é posicionar a prevenção como um cuidado contínuo, que começa antes dos blocos e segue muito tempo depois do último confete.

Nos últimos três meses, estados de todas as regiões receberam cerca de 138 milhões de preservativos para reforçar estoques em unidades de saúde e pontos estratégicos de circulação de foliões. Entre eles estão versões tradicional, texturizada e ultrafina — lançadas pelo SUS em 2025 — e preservativos internos de látex ou nitrílica. A pasta aposta que a diversificação amplia as opções de proteção e pode facilitar a adesão entre públicos diferentes.

O ministério destaca que, apesar de ser o método mais acessível e eficaz para reduzir a transmissão de ISTs e evitar gestações não planejadas, o uso de preservativos no Brasil segue baixo. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde indicam que, nos 12 meses anteriores à última coleta, menos de um quarto das pessoas entrevistadas relatou uso em todas as relações sexuais; a maior parte disse não ter usado nenhuma vez. Essa tendência se alinha a observações internacionais, com queda no uso entre jovens registrada em estudos da Organização Mundial da Saúde.

A campanha também lembra que a prevenção combinada — ou seja, a adoção conjunta de várias medidas — aumenta a proteção. Além dos preservativos, o SUS oferece vacinação contra hepatites A, B e HPV, testagem rápida para HIV, sífilis e hepatites, profilaxia pré-exposição (PrEP) para HIV e profilaxia pós-exposição (PEP) a situações de risco.

Em várias cidades, secretarias estaduais e municipais de saúde se somam ao esforço. Em Teresina (PI), por exemplo, há um calendário de ações programado para o período pré-carnavalesco, com testagem rápida, distribuição de preservativos e materiais educativos, além de ações de combate ao estigma e promoção de direitos das pessoas que vivem com HIV.

No Rio de Janeiro, a prefeitura preparou uma megaoperação de vigilância em saúde no Sambódromo que inclui dispensers de preservativos masculinos e femininos nos banheiros das arenas, ações de vigilância ambiental e saúde pública integradas antes, durante e depois dos desfiles.

Embora centrada no Carnaval, a campanha renova um alerta que vem de anos: as infecções sexualmente transmissíveis continuam entre os principais desafios de saúde pública no país. Em edições anteriores, especialistas já chamaram atenção para a importância do uso do preservativo especialmente entre jovens adultos, faixa etária que concentra grande parte das festividades carnavalescas e, ao mesmo tempo, apresenta maior vulnerabilidade à exposição sem proteção.

Para quem vai cair na folia, as recomendações oficiais não se limitam à prevenção de ISTs: manter-se hidratado, usar protetor solar e, em áreas de mata, verificar a necessidade de vacinação contra febre amarela também fazem parte das orientações para um Carnaval mais seguro e tranquilo.