País supera Estados Unidos, alcança 12,35 milhões de toneladas e inicia 2026 sob impacto de tarifa chinesa de 55% fora da cota.
O Brasil assumiu oficialmente a liderança global da carne bovina. Em 2025, o país produziu cerca de 12,35 milhões de toneladas em equivalente-carcaça, superando os Estados Unidos e alcançando o maior volume da história.
O avanço consolida o Brasil como responsável por aproximadamente 20% da produção mundial da proteína.
Os números fecham um ciclo de forte expansão iniciado em 2023 e 2024, quando o alto abate de fêmeas ampliou a oferta de animais para frigoríficos. A combinação de pastagens favoráveis, ganho de peso mais rápido e aumento do peso médio das carcaças sustentou o crescimento.
Mato Grosso lidera o rebanho nacional. Pará e Goiás aparecem na sequência.
Exportações em nível recorde
A produção elevada impulsionou as vendas externas. O Brasil encerrou 2025 com embarques históricos de carne bovina. Janeiro de 2026 manteve o ritmo, com volumes elevados também para carne suína e de frango.
A China permanece como principal destino. O país asiático responde por cerca de metade das exportações brasileiras de carne bovina.
A preferência do mercado internacional está associada a três fatores centrais: escala produtiva, custo competitivo e oferta regular. A produção a pasto reduz despesas. O volume disponível garante contratos de grande porte. A estrutura frigorífica atende exigências sanitárias globais.
Além disso, a redução do rebanho nos Estados Unidos abriu espaço adicional no mercado internacional, fortalecendo a posição brasileira.
Nova tarifa da China altera cenário
O ambiente externo, porém, mudou no início de 2026.
A China passou a aplicar tarifa de 55% sobre os volumes de carne bovina que ultrapassarem a cota anual de importação estabelecida para o Brasil. Dentro do limite, a taxa permanece inferior. Acima dele, o custo sobe significativamente.
A medida funciona como salvaguarda comercial.
Na prática, exportadores brasileiros precisam ajustar contratos para evitar embarques fora da cota, que perderiam competitividade imediata. O governo avalia mecanismos de organização das vendas externas para reduzir impactos.
O setor também intensifica a diversificação de destinos na Ásia e no Oriente Médio, buscando reduzir a dependência do mercado chinês.
Tendência de ajuste na produção
Ao mesmo tempo, o ciclo pecuário começa a mudar.
A retenção de fêmeas para recomposição de rebanho deve reduzir o volume de abate nos próximos anos. Projeções indicam produção menor em 2026, após o pico histórico de 2025.
Menor oferta tende a pressionar preços internos e alterar o ritmo das exportações.
Novo patamar, novos desafios
O Brasil chegou ao topo da carne bovina mundial. A liderança é resultado de escala, eficiência produtiva e espaço aberto no mercado internacional.
Agora, o desafio é manter competitividade diante de barreiras tarifárias, ajustes de ciclo pecuário e maior sensibilidade geopolítica no comércio de alimentos.
O protagonismo está consolidado. A estabilidade dependerá da estratégia adotada a partir de 2026.
