O número caiu no colo do governo como um presente de ano novo. O IBGE divulgou na manhã desta sexta-feira (9) que o IPCA fechou 2025 em 4,26%, o menor índice desde 2018. Mas não para aí: o resultado ficou abaixo da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, de 4,5%. Era exatamente isso que o mercado duvidava que aconteceria. No início de 2025, as projeções apostavam em 5%, fora da meta. Deu errado. E olha, quando o mercado erra desse jeito, é porque algo mudou na economia brasileira — e pode ser para melhor.
A queda de 0,57 ponto percentual em relação a 2024 não é pouca coisa. Representa o quinto melhor resultado desde o Plano Real, lá de 1994. Quem viveu a época da hiperinflação, quando o Brasil trocava de moeda mais rápido do que troca de governo, sabe o que significa ter controle sobre os preços. E é exatamente esse controle que o país parece ter reconquistado, mesmo com todas as turbulências políticas e econômicas.
O arroz despencou 26,56% e o leite longa vida caiu 12,87% ao longo do ano. Dois itens básicos da cesta do brasileiro, aqueles que a gente vê no carrinho toda semana, deram um respiro no bolso das famílias. Por seis meses seguidos — de junho a novembro — os alimentos em casa tiveram deflação. Mas nem tudo foram flores: a energia elétrica subiu 12,31%, os planos de saúde 6,42%, e quem pegou avião sentiu no bolso com passagens 7,85% mais caras. O Brasil é assim, cheio de contradições. Enquanto um lado alivia, o outro aperta.
E tem um detalhe que muita gente não percebeu: o setor de serviços acelerou de 4,78% em 2024 para 6,01% em 2025. Sabe o que isso significa? Mercado de trabalho aquecido, gente com dinheiro no bolso, consumindo. O transporte por aplicativo disparou 56,08%. Isso mesmo, mais da metade do valor. Quem usa Uber todo dia sabe bem disso. Mas essa pressão nos serviços é um sinal de que a economia está rodando, com gente empregada e gastando. É o tipo de problema que, convenhamos, é melhor ter do que o contrário.
A discussão agora gira em torno do Banco Central e da taxa Selic. Com a inflação dentro da meta pela primeira vez desde 2023, a pressão para baixar os juros aumenta. Mas os especialistas alertam: a inflação de serviços ainda preocupa. O coordenador dos índices de preços da FGV destacou que o BC fez um trabalho duro que surtiu efeito sobre as expectativas de preços, um componente fundamental para a formação de preços em qualquer economia. E é verdade. Quando o mercado acredita que a inflação vai cair, ela tende a cair. É quase uma profecia autorrealizável. Mas o caminho ainda é longo e demanda cautela, especialmente com 2026 sendo ano eleitoral e tudo que isso representa para a economia brasileira.
