O Brasil encerrou 2025 com saldo positivo na geração de empregos formais, mas o ritmo já não empolga como antes. Foram 1,279 milhão de novas vagas com carteira assinada, segundo dados do Caged. O número é expressivo, sem dúvida, porém bem abaixo do resultado de 2024, quando o país criou quase 1,7 milhão de postos. O contraste fica ainda mais evidente em dezembro, mês que concentrou um forte fechamento de vagas. No pano de fundo, juros altos, crescimento econômico moderado e cautela das empresas ajudam a explicar o fôlego mais curto do mercado de trabalho.
Um saldo positivo, mas menor do que o esperado
O resultado de 2025 confirma que o emprego formal continuou avançando no Brasil, mas perdeu velocidade. Na prática, o saldo de 1.279.498 vagas representa a diferença entre admissões e demissões ao longo do ano. É como correr uma maratona e perceber, nos quilômetros finais, que o ritmo já não é o mesmo do começo.
Na comparação com 2024, a queda é significativa: quase 24% a menos de postos criados. Economistas veem nesse recuo um sinal claro de desaceleração, influenciado principalmente pelo custo elevado do crédito, pela menor disposição das empresas em investir e por um cenário internacional ainda instável.
Dezembro pesa — e muito — na conta
Tradicionalmente, dezembro é um mês difícil para o emprego formal. Ainda assim, os números de 2025 chamam atenção. Foram mais de 618 mil vagas fechadas, o pior desempenho para o mês desde 2020.
Esse tombo ajudou a reduzir o saldo anual e reforçou a percepção de que o mercado de trabalho perdeu tração ao longo do segundo semestre. Para o trabalhador comum, isso se traduz em mais concorrência por vagas, processos seletivos mais longos e, em muitos casos, salários pressionados.
Serviços puxam o emprego, agro avança menos
Apesar do cenário mais cauteloso, todos os grandes setores da economia fecharam o ano no azul. O destaque ficou, mais uma vez, com o setor de serviços, responsável pela maior fatia das novas vagas, impulsionado por áreas como tecnologia da informação, atividades administrativas, setor financeiro e serviços imobiliários.
O comércio também teve desempenho positivo, beneficiado pelo consumo interno, enquanto a indústria mostrou crescimento mais contido. A construção civil manteve geração de empregos, mas em ritmo inferior ao observado em anos de maior investimento. Já a agropecuária avançou, porém com impacto menor no saldo total.
Sudeste lidera; Norte segue atrás
A criação de empregos não ocorreu de forma homogênea pelo país. O Sudeste liderou a geração de vagas, puxado principalmente por São Paulo, que concentrou o maior saldo positivo do Brasil em 2025. Rio de Janeiro e Bahia também tiveram desempenho relevante.
Outras regiões, como Nordeste e Sul, apresentaram resultados positivos, mas mais modestos. O Norte ficou na última posição do ranking, refletindo desigualdades estruturais e menor dinamismo econômico em parte dos estados.
O que os números dizem sobre 2026
O saldo positivo de empregos em 2025 mostra que o mercado de trabalho segue vivo, mas longe de uma recuperação acelerada. Para 2026, a expectativa depende de fatores como redução dos juros, retomada de investimentos e maior confiança do setor produtivo.
É duro dizer, mas necessário: enquanto a economia andar em passo curto, o emprego também caminha com cautela. O trabalhador sente isso no bolso, nas oportunidades e na insegurança silenciosa que acompanha quem depende de um contracheque no fim do mês.
