O avanço dos escorpiões no Espírito Santo deixou de ser um problema pontual e se consolidou como um grave desafio de saúde pública. Somente em 2025, o Estado já registrou mais de 6.500 acidentes com escorpiões, com duas mortes confirmadas, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).
O crescimento expressivo dos casos acende um alerta, sobretudo porque a maioria das ocorrências acontece dentro das residências, em áreas urbanas densamente povoadas. Crianças e idosos continuam sendo os grupos mais vulneráveis às formas graves do envenenamento.
Escorpiões dominam os acidentes com animais peçonhentos
No Espírito Santo, o escorpionismo já é, com folga, o principal tipo de acidente com animal peçonhento, superando registros com cobras, aranhas e outros animais.
Entre 2024 e 2025, a curva de crescimento se manteve constante, mas foi neste ano que os números atingiram um patamar preocupante. Municípios do Norte do Estado e da Grande Vitória concentram grande parte das notificações, especialmente em bairros com problemas de saneamento, acúmulo de lixo e entulho.
Técnicos da vigilância ambiental explicam que o escorpião encontrou no ambiente urbano as condições ideais para se multiplicar. “Ele se abriga facilmente em ralos, caixas de esgoto, restos de construção e terrenos abandonados”, apontam.
Escorpião-amarelo preocupa especialistas
A espécie predominante no Espírito Santo é o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), considerado o mais perigoso do Brasil. Além do veneno potente, o animal tem uma característica que dificulta o controle: reproduz-se sem necessidade de acasalamento, o que acelera a infestação.
A picada provoca dor intensa, formigamento, vômitos, sudorese e alterações cardíacas. Em casos graves — especialmente em crianças pequenas — pode levar à morte se o atendimento não for rápido.
Atendimento rápido é decisivo
A orientação médica é clara: não usar receitas caseiras e procurar atendimento imediato em uma unidade de saúde. O Espírito Santo dispõe de soro antiescorpiônico pelo SUS, com melhores resultados quando aplicado nas primeiras horas após a picada.
Em casos de dúvida ou orientação imediata, a população pode acionar o Centro de Informação e Assistência Toxicológica do Espírito Santo (Ciatox-ES):
📞 0800 283 9904
O serviço funciona 24 horas por dia, com atendimento gratuito.
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Situação no Brasil
O problema é nacional e cresce em ritmo acelerado.
- 173 mil acidentes com escorpiões registrados no Brasil
- Mais de 200 mortes confirmadas
- Escorpiões já são a principal causa de acidentes com animais peçonhentos no país
- Crianças de até 9 anos concentram a maior parte dos óbitos
- Estados como Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Pernambuco lideram os números
Especialistas associam o avanço dos casos à urbanização desordenada, acúmulo de lixo, falta de saneamento e ao aumento das temperaturas, que favorece a reprodução dos escorpiões.
Prevenção ainda é a principal arma
Enquanto não há uma solução definitiva para o controle da espécie, a prevenção segue como a medida mais eficaz:
- Manter quintais e terrenos limpos
- Evitar acúmulo de lixo e entulho
- Vedar ralos, frestas e caixas de esgoto
- Sacudir roupas e calçados antes de usar
- Nunca tentar capturar escorpiões com as mãos
Com mais de 6.500 vítimas em apenas um ano, o escorpionismo deixou de ser um problema invisível. No Espírito Santo, ele já faz parte da rotina dos serviços de saúde — e exige atenção permanente da população e do poder público.
