Se tudo correr como planejado, a NASA lança nesta terça-feira, 1º de abril de 2026, a missão Artemis II: o primeiro voo tripulado rumo à órbita da Lua desde 1972.
A previsão é real, mas não definitiva. A própria agência fala em “não antes de 1º de abril”. Na prática, isso significa que o lançamento depende de uma última sequência de checagens técnicas e das condições climáticas. Até agora, o cenário é favorável: cerca de 80% de chance de bom tempo na base de lançamento. Ainda assim, qualquer detalhe pode adiar a decolagem.

No topo do foguete SLS, o mais poderoso já desenvolvido pela NASA, está a cápsula Orion. É ali que quatro astronautas vão embarcar em uma viagem que mistura precisão técnica com risco calculado. A missão deve durar cerca de dez dias. Tempo suficiente para sair da órbita terrestre, contornar a Lua e voltar para casa em uma trajetória conhecida como “retorno livre”, que usa a própria gravidade lunar como aliada para garantir o caminho de volta.
A Artemis II é um teste decisivo. Tudo o que será usado em futuras missões — inclusive no aguardado retorno de humanos à superfície lunar — passa por essa etapa. Sistemas de suporte à vida, comunicação em espaço profundo, navegação, resistência da cápsula à reentrada em alta velocidade.
Tripulação

A tripulação reflete um novo momento da exploração espacial. O comandante Reid Wiseman lidera o grupo, acompanhado pelo piloto Victor Glover, pela especialista de missão Christina Koch e pelo canadense Jeremy Hansen, da Canadian Space Agency. É a primeira vez que uma mulher e um astronauta não americano participam de uma missão desse tipo ao redor da Lua.

Rumo a Marte
O programa Artemis, que dá nome à missão, foi criado com um objetivo ambicioso: estabelecer presença humana sustentável na Lua e usar o satélite como ponto de partida para voos mais distantes, como Marte. A primeira etapa, a Artemis I, testou tudo sem tripulação. Agora, o novo teste tem pessoas a bordo.
Há também um pano de fundo silencioso, mas determinante. O espaço voltou a ser estratégico. Empresas privadas, como a SpaceX, aceleram projetos com rapidez inédita. Países como a China avançam com planos próprios para a Lua.
Se o lançamento acontecer, será daqueles momentos que param o mundo por alguns segundos. O rugido dos motores, o chão tremendo, a luz cortando o céu. E, lá dentro, quatro pessoas carregando décadas de história — e uma expectativa que vai muito além da órbita terrestre.
Artemis
O nome Artemis foi escolhido pela NASA por seu forte simbolismo. Na mitologia grega, Artemis é a deusa da Lua e irmã gêmea de Apollo — uma referência direta ao histórico Programa Apollo, que levou os primeiros humanos ao satélite natural entre as décadas de 1960 e 70. Ao retomar a exploração lunar, a agência optou por um nome que representa continuidade, mas também evolução.
Mais do que uma homenagem, Artemis sinaliza uma nova fase. O programa busca ampliar a diversidade das missões — incluindo a primeira mulher e a primeira pessoa negra na Lua — e estabelecer presença humana sustentável no satélite, com foco em futuras viagens a Marte. O nome, portanto, não é apenas mitológico: é uma mensagem sobre o futuro da exploração espacial.
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