Aposentadorias acima do mínimo perdem força em 2026 e reajuste não cobre a inflação sentida no bolso

Você olha o extrato, vê o valor maior e pensa: “pelo menos subiu”. Mas aí vem o mercado, a farmácia, a conta de luz. E o alívio some. Em 2026, aposentados e pensionistas do INSS que ganham acima do salário mínimo até terão reajuste, mas ele não acompanha o custo real de vida. É um aumento que existe no papel, não no carrinho de compras. No fim das contas, muita gente vai perceber que compra menos do que comprava antes.

O novo teto do INSS sobe para R$ 8.475,55, um reajuste de 3,9% em relação a 2025. Esse índice segue o INPC, usado oficialmente para corrigir os benefícios acima do mínimo. O problema é que, na prática, esse percentual ficou aquém da inflação que mais pesa para os aposentados: alimentos, medicamentos, planos de saúde e serviços básicos, itens que avançaram acima da média ao longo do último ano. Resultado direto: perda de poder de compra.

Quem recebe acima do piso previdenciário sente isso de forma clara. Diferente do salário mínimo, que teve aumento real por decisão de política econômica, as aposentadorias maiores ficaram limitadas à correção formal do índice. Não houve ganho real. E quando o reajuste apenas empata — ou nem isso — com a inflação do dia a dia, o orçamento encolhe em silêncio. É como subir um degrau enquanto o chão afunda um pouco mais.

Outro ponto que pesa é a proporcionalidade. Benefícios concedidos ao longo de 2025 não recebem o reajuste cheio, mas apenas uma fração, calculada mês a mês. Na prática, milhares de aposentados entram em 2026 já defasados. O valor sobe menos, enquanto os preços seguem avançando sem pedir licença. Para quem depende exclusivamente do INSS, cada décimo percentual faz diferença.

No calendário de pagamentos, tudo segue normalmente. O dinheiro cai na conta, pontual. Mas a sensação de aperto continua. O reajuste existe, sim, mas não protege. E para muitos aposentados que ganham mais que o mínimo, 2026 começa com um recado duro: o benefício aumenta, mas o poder de compra diminui — devagar, quase imperceptível, como um desgaste contínuo que só se nota quando já virou problema.