O terceiro período da andada do caranguejo-uçá começou nesta segunda-feira (2) e segue até sábado (7 de fevereiro). Durante esses dias, está proibida a captura, o transporte, o armazenamento e a comercialização do crustáceo em todo o Espírito Santo. A medida vale também para restaurantes, bares, feiras e qualquer tipo de venda informal.
Não é exagero dizer que este é um dos momentos mais sensíveis do ano para os manguezais. É agora que o caranguejo-uçá sai da toca para se reproduzir. Fica exposto. Vulnerável. E, justamente por isso, protegido por lei.
Um ciclo natural que exige pausa humana
A chamada “andada” acontece quando machos e fêmeas deixam os buracos no mangue para o acasalamento e a liberação dos ovos. O fenômeno segue o ritmo da lua, algo que pescadores tradicionais conhecem há gerações — muito antes de qualquer portaria oficial.
Durante esse curto intervalo, qualquer captura causa um impacto desproporcional. É como arrancar sementes do solo antes da germinação. O dano não aparece de imediato, mas cobra seu preço mais adiante, com a redução dos estoques e o desequilíbrio do ecossistema.
O que está proibido neste período
Até sábado, não é permitido:
— Capturar caranguejo-uçá em áreas de manguezal
— Transportar o animal, vivo ou abatido
— Armazenar, comercializar ou servir o crustáceo
— Manter caranguejos em cativeiro ou depósitos
O descumprimento pode resultar em multas, apreensão do produto e outras penalidades ambientais.
Fiscalização e orientação ao mesmo tempo
Em cidades como Vila Velha, Vitória e municípios vizinhos, equipes ambientais intensificaram ações de fiscalização, especialmente em áreas costeiras, manguezais e pontos de venda de alimentos. O foco, ao menos neste momento, não é apenas punir.
Há também um esforço claro de orientação, conversa direta com comerciantes e moradores, explicando por que esses poucos dias fazem tanta diferença para o futuro da espécie — e para quem depende dela para viver.
É duro dizer, mas necessário: sem respeito ao defeso, não há pesca sustentável. Nem hoje, nem amanhã.
Por que o caranguejo-uçá importa tanto?
O caranguejo-uçá não é só um prato típico. Ele é peça-chave do manguezal. Ajuda a oxigenar o solo, reciclar matéria orgânica e manter o ambiente saudável para peixes, aves e outras espécies.
Quando o mangue vai mal, tudo ao redor sente. A pesca diminui. A água perde qualidade. A costa fica mais vulnerável. Proteger o caranguejo, nesse contexto, é proteger um sistema inteiro que funciona como um organismo vivo.
Calendário segue até abril
O terceiro período faz parte de um calendário anual de sete etapas de proteção, distribuídas entre janeiro e abril, sempre acompanhando as fases da lua. Depois desta semana, ainda estão previstos novos períodos de defeso ao longo de fevereiro, março e abril.
Ou seja: não se trata de um evento isolado. É uma estratégia contínua para garantir que a reprodução aconteça sem interferência humana.
Uma pausa curta, um impacto longo
São apenas seis dias. Menos de uma semana. Mas esse intervalo funciona como um fôlego para a natureza — um silêncio necessário para que a vida siga seu curso.
Respeitar a andada do caranguejo-uçá não é só cumprir a lei. É entender que, às vezes, a melhor atitude é saber parar.
Calendário de Andadas em 2026 no Espírito Santo
Para você visualizar o ciclo reprodutivo ao longo do ano, aqui estão as janelas de proteção ambiental previstas no calendário capixaba:
→ 1º período – 4 a 9 de janeiro de 2026 (lua cheia)
→ 2º período – 19 a 24 de janeiro (lua nova)
→ 3º período (em curso) – 2 a 7 de fevereiro (lua cheia)
→ 4º período – 18 a 23 de fevereiro (lua nova)
→ 5º período – 4 a 9 de março (lua cheia)
→ 6º período – 19 a 24 de março (lua nova)
→ 7º período – 18 a 23 de abril (lua nova)
