Abadia de Westminster: estudo sugere identidade de esqueleto medieval em sarcófago romano
Pesquisa atribui a um dos abades da Abadia de Westminster o esqueleto medieval encontrado em um sarcófago de origem romana, reaproveitado no século XI.
Um esqueleto medieval encontrado dentro de um sarcófago de origem romana na Abadia de Westminster, em Londres, pode ter sua identidade revelada. Segundo um novo estudo publicado nesta quarta-feira (21) no Journal of the British Archaeological Association, o arqueólogo consultor da abadia, Warwick Rodwell, acredita que o homem enterrado era um dos antigos abades do mosteiro.
O caixão de pedra foi desenterrado em 1869 pelo mestre de obras da abadia, mas já havia sido saqueado anos antes, ainda no século XIX. A tampa traz uma grande cruz anglo-saxônica do século XI, enquanto a base e a lateral são de estilo romano, com uma inscrição em latim que homenageia Valerius Amandinus e foi feita por seus filhos, Valerius Superventor e Marcellus.
Por cerca de 150 anos, acreditou-se que não restavam ossos no interior da tumba. A situação mudou em 2016, quando o caixão foi aberto para conservação e um esqueleto completo foi encontrado. Os ossos haviam sido perturbados ao longo do tempo, e os ossos dos braços e das pernas estavam misturados, mas a análise permitiu identificar um homem de meia-idade e estatura média.
Ele apresentava sinais de osteoartrite, duas costelas fraturadas que já haviam cicatrizado e gota. A datação por carbono indicou que os ossos são de entre 987 e 1052, o que confirma que o sarcófago romano foi reaproveitado durante a Idade Média.
Com base nas datas de nascimento e morte dos abades de Westminster e no tempo em que exerceram o cargo, Rodwell reduziu as possibilidades a três nomes: Wulfsige, abade entre 988 e 993; Ælfwig, entre 993 e 1020; e Wulfnoth, entre 1020 e 1049. Como Wulfsige deixou a abadia para se tornar bispo em outro lugar, é improvável que tenha sido enterrado ali. Restaram, assim, dois candidatos viáveis. O pesquisador afirmou que o fato de Ælfwig já ser monge de Westminster pode favorecê-lo.
Ainda restam perguntas sem resposta. Não se sabe por que um abade do século XI foi sepultado em um caixão romano reaproveitado, prática considerada extremamente rara, e não há nada comparável já encontrado. Rodwell sugere que a palavra inicial da inscrição, memoriae, indica que Valerius Amandinus pode ter sido um cristão, possivelmente uma figura importante na Londres romana, mas nada se sabe sobre sua carreira.
A origem do caixão também é incerta. Ele foi feito com calcário de Oxfordshire, no sul da Inglaterra, e pode ter vindo de um mausoléu romano que foi escavado e movido em algum momento. O estudo aponta que pode haver, nas proximidades da abadia, uma villa romana com cemitério ainda não descoberta.
Atualmente, o sarcófago está exposto nas Galerias do Jubileu de Diamante da Rainha, na própria Abadia de Westminster.



