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Ataques hackers com IA: agente sequestra modelos e executa até 100 mil ações sozinho, diz Symantec

A Symantec descobriu um agente de IA que sequestra modelos expostos na internet para executar até 100 mil ações maliciosas sem supervisão humana.

Por Roberto Andrade ·
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Ataques hackers com IA: agente sequestra modelos e executa até 100 mil ações sozinho, diz Symantec
Imagem ilustrativa. Foto: autor desconhecido / rawpixel (CC0)

A Symantec identificou um agente de inteligência artificial capaz de executar ciberataques de forma autônoma, sem intervenção humana. Trata-se de uma nova forma de ataques hackers com IA: a ferramenta sequestra modelos de IA expostos na internet e realiza até 100 mil ações maliciosas, como procurar alvos, explorar falhas de segurança, roubar senhas e instalar mineradores de criptomoedas.

A descoberta veio de um experimento com honeypot, sistema que simula um serviço desprotegido para atrair invasores e permitir a análise de suas técnicas. Segundo o relatório divulgado nesta quarta-feira (21), a armadilha recebeu mais de 127 mil requisições externas, vindas de dezenas de milhares de endereços IP. Com isso, a equipe Symantec Threat Hunter conseguiu capturar as instruções completas do agente e mapear seu funcionamento.

Segundo os pesquisadores, o agente utiliza a técnica chamada LLMjacking, que consiste no uso não autorizado de grandes modelos de linguagem (LLMs) disponíveis na internet. Ele procura servidores de IA, estruturas de hospedagem própria, gateways e serviços ligados ao protocolo MCP, para usar a capacidade computacional de terceiros sem pagar pelo processamento.

Na prática, os custos de uso dos modelos são transferidos para as vítimas. Além disso, o criminoso reduz o risco de ser identificado, já que não usa as próprias contas, que poderiam ser bloqueadas pelos provedores.

As instruções interceptadas incluem cerca de 74 ferramentas para mapear redes, explorar estruturas web, extrair bancos de dados, roubar senhas e controlar redes de dispositivos infectados, conhecidas como botnets. Para contornar as proteções dos modelos comerciais, o agente também usa instruções em camadas que disfarçam ações maliciosas, como a coleta de credenciais, como se fossem tarefas legítimas de desenvolvimento de software.

Em uma das requisições analisadas, havia um código disfarçado que instalava um programa para usar o computador infectado na mineração da criptomoeda Monero. O script ainda escondia o programa e apagava registros de atividade do sistema, o que dificultava a identificação do ataque.

De acordo com a Symantec, as técnicas identificadas não são novas. O principal problema está na integração de diferentes recursos em um único agente, capaz de planejar e executar ataques de forma independente. Em vez de tentar convencer chatbots públicos a produzir conteúdo malicioso por meio de engenharia de prompt, os criminosos passaram a conectar modelos de IA a ferramentas de ataque.

Nesse arranjo, a IA planeja as etapas e define como atingir o objetivo, enquanto as ferramentas especializadas executam as operações técnicas. Assim, o criminoso pode estabelecer uma meta e deixar que o agente coordene as tarefas seguintes sem precisar aprovar cada passo.

A automação também reduz o conhecimento técnico necessário para conduzir campanhas de exploração em larga escala. Segundo a análise da Symantec, a combinação de planejamento por IA e ferramentas ofensivas amplia a capacidade de executar operações complexas com pouca supervisão humana, o que aumenta a preocupação com sistemas expostos na internet.

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