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Abadia de Westminster: estudo sugere identidade de esqueleto medieval em sarcófago romano

Pesquisa atribui a um dos abades da Abadia de Westminster o esqueleto medieval encontrado em um sarcófago de origem romana, reaproveitado no século XI.

Por Roberto Andrade ·
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Um esqueleto medieval encontrado dentro de um sarcófago de origem romana na Abadia de Westminster, em Londres, pode ter sua identidade revelada. Segundo um novo estudo publicado nesta quarta-feira (21) no Journal of the British Archaeological Association, o arqueólogo consultor da abadia, Warwick Rodwell, acredita que o homem enterrado era um dos antigos abades do mosteiro.

O caixão de pedra foi desenterrado em 1869 pelo mestre de obras da abadia, mas já havia sido saqueado anos antes, ainda no século XIX. A tampa traz uma grande cruz anglo-saxônica do século XI, enquanto a base e a lateral são de estilo romano, com uma inscrição em latim que homenageia Valerius Amandinus e foi feita por seus filhos, Valerius Superventor e Marcellus.

Por cerca de 150 anos, acreditou-se que não restavam ossos no interior da tumba. A situação mudou em 2016, quando o caixão foi aberto para conservação e um esqueleto completo foi encontrado. Os ossos haviam sido perturbados ao longo do tempo, e os ossos dos braços e das pernas estavam misturados, mas a análise permitiu identificar um homem de meia-idade e estatura média.

Ele apresentava sinais de osteoartrite, duas costelas fraturadas que já haviam cicatrizado e gota. A datação por carbono indicou que os ossos são de entre 987 e 1052, o que confirma que o sarcófago romano foi reaproveitado durante a Idade Média.

Com base nas datas de nascimento e morte dos abades de Westminster e no tempo em que exerceram o cargo, Rodwell reduziu as possibilidades a três nomes: Wulfsige, abade entre 988 e 993; Ælfwig, entre 993 e 1020; e Wulfnoth, entre 1020 e 1049. Como Wulfsige deixou a abadia para se tornar bispo em outro lugar, é improvável que tenha sido enterrado ali. Restaram, assim, dois candidatos viáveis. O pesquisador afirmou que o fato de Ælfwig já ser monge de Westminster pode favorecê-lo.

Ainda restam perguntas sem resposta. Não se sabe por que um abade do século XI foi sepultado em um caixão romano reaproveitado, prática considerada extremamente rara, e não há nada comparável já encontrado. Rodwell sugere que a palavra inicial da inscrição, memoriae, indica que Valerius Amandinus pode ter sido um cristão, possivelmente uma figura importante na Londres romana, mas nada se sabe sobre sua carreira.

A origem do caixão também é incerta. Ele foi feito com calcário de Oxfordshire, no sul da Inglaterra, e pode ter vindo de um mausoléu romano que foi escavado e movido em algum momento. O estudo aponta que pode haver, nas proximidades da abadia, uma villa romana com cemitério ainda não descoberta.

Atualmente, o sarcófago está exposto nas Galerias do Jubileu de Diamante da Rainha, na própria Abadia de Westminster.

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