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Cão farejador ganha prêmio de Animal do Ano por localizar espécie marinha invasora

Sgiath, cadela labrador, foi premiada como Animal do Ano por farejar uma espécie marinha invasora que ameaça águas do Reino Unido e da Irlanda.

Por Roberto Andrade ·
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Um cão farejador da raça labrador preto, chamado Sgiath, foi premiado como Animal do Ano pela International Fund for Animal Welfare (IFAW), organização sem fins lucrativos. A cadela ganhou o reconhecimento por ser capaz de farejar o chamado “vômito do mar”, nome popular da ascídia-tapete, espécie invasora que ameaça as águas do Reino Unido e da Irlanda. O anúncio foi feito na última quinta-feira (15).

Sgiath, de 6 anos, e a ecóloga marinha Texa Sim, responsável por ela e baseada perto de Glencoe, na Escócia, foram reconhecidas pelo trabalho pioneiro em conservação marinha. Segundo a IFAW, acredita-se que Sgiath seja a primeira cadela treinada para identificar a ascídia-tapete, que, se não for controlada, pode sufocar espécies nativas e colonizar estruturas como fazendas de ostras e pesqueiros.

“A história da Sgiath não se parece com nada que já vimos antes”, afirma Sharon Livermore, diretora de conservação marinha da IFAW, em comunicado à imprensa. “Seu trabalho pioneiro mostra o enorme potencial dos cães para contribuir com a ciência da conservação de maneiras totalmente novas.”

Antes de atuar no mar, Sgiath foi treinada como cão de resgate em montanhas e depois aprendeu a reconhecer o odor da espécie invasora. Segundo Sim, ela já localizou centenas de colônias do animal e não erra, mesmo quando precisa farejar sob camadas de algas em pontões e gaiolas de ostras. “Ela é uma natural”, diz a ecóloga, que também treinou Uisge, um labrador de 3 anos, para a mesma função.

A ascídia-tapete, cujo nome científico é Didemnum vexillum, apareceu no Reino Unido em 2008. Cientistas suspeitam que ela tenha chegado em navios vindos do Japão, seu local de origem. A espécie se desenvolve melhor em águas mais quentes, o que preocupa conservacionistas diante do aumento da temperatura do mar associado às mudanças climáticas.

Martyn Kurr, biólogo marinho da Universidade de Bangor, no País de Gales, explica que espécies invasoras como essa podem drenar nutrientes importantes dos ecossistemas, privando a fauna local. Ele também cita danos a criações em aquicultura, estruturas marinhas e hélices de barcos. Na Europa, identificar e controlar essas populações custa milhões de dólares por ano.

Deixar essas colônias sem controle pode ser desastroso. Em 1969, uma população descontrolada da espécie quase dizimou um grupo de ostras-portuguesas que vivia nas costas de Portugal e da França.

O problema é que as colônias são difíceis de localizar. Elas podem ser branco-cremosas, bronzeadas ou até rosa-claras e laranjas, e costumam se prender a algas, parecendo uma camada de muco ou vômito. A identificação tradicional exige análises em laboratório e testes de DNA, o que consome tempo e recursos. Sgiath, por outro lado, precisa apenas do faro.

O uso de cães para detectar espécies invasoras não é novo. Conservacionistas utilizam cães em terra há mais de um século, mas a prática se espalhou principalmente nas últimas décadas. Um cão possui mais de 220 milhões de receptores olfativos no nariz, enquanto um ser humano tem cerca de cinco milhões. Ainda assim, os animais não resolvem tudo, mas costumam ser mais eficientes e menos invasivos do que outros métodos.

O caso de Sgiath é diferente porque ela atua no mar. A cadela percorre a praia e entra na água durante a maré baixa para procurar possíveis colônias. “Ela basicamente faz um levantamento com o nariz”, diz Sim. “Ela consegue apontar exatamente onde está.”

Sgiath e outros cães que venham a ser treinados da mesma forma não conseguem eliminar essas colônias sozinhos. Para Sim, identificar a espécie mais cedo e com mais eficiência dá aos conservacionistas e gestores de áreas marinhas uma chance muito melhor de agir antes que o problema saia de controle.

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